O papel das femtechs para acabar com os “tabus” de ser mulher

Femtechs são startups que por meio da tecnologia procuram resolver problemas e facilitar o dia a dia do universo feminino. Segundo o Femtech Landscape Report 2021, a estimativa é de que o mercado desse segmento movimente U$ 1,186 trilhão até 2027.

Além da economia, esse setor desempenha outros papéis importantes, especialmente para a diversidade e para trazer à tona temáticas femininas como a saúde sexual feminina. 

Nesse sentido, o Economia SP Drops conversou com Marina Ratton, uma das líderes da Associação FemTechs Brasil e CEO da Feel, femtech de produtos naturais e veganos para o bem-estar íntimo da mulher. Confira na íntegra:

Qual a importância das femtechs, tanto para quem empreende no segmento quanto para quem consome produtos desse nicho? 

Marina: Do ponto de vista das empresárias, as femtechs trazem características próprias, são fundadas em sua maioria por mulheres, lideradas por mulheres, focadas na busca por tecnologias para mulheres, além da busca por investidores que entendam que investir em femtechs na base gera um resultado positivo na ponta. Ainda há poucos investimentos e precisamos ter uma igualdade neste cenário. O número de startups lideradas por mulheres é pequeno e as femtechs vem para mudar esse cenário. Importante destacar que as mulheres são mais da metade da população, são as maiores decisoras de compra e as que mais gastam com saúde, por isso, faz muito sentido ter mulheres liderando jornadas que tratam das dores de outras mulheres. Outro dado que chama a atenção: são realizados  mais estudos sobre disfunção erétil, que acomete apenas 10% dos homens, em comparação com estudos sobre menstruação, por exemplo. Estudos aprofundados sobre o clitóris começaram somente em 2003, novamente levando em consideração que a população feminina é maior e deveria ter mais estudos voltados às suas dores. As femtechs acompanham a evolução da ciência e podem atender demandas que impactam de forma expressiva a sociedade e até políticas públicas. 

Quais os principais desafios das femtechs? 

Marina: Por ser um olhar novo sobre a saúde da mulher, por tratar assuntos tabus e dores, tende a ser taxada em nichos, justamente por possuir mulheres fundando e liderando rodadas de investimentos. A grande maioria das startups possui lideranças masculinas, por isso ter mulheres como fundadoras ainda é novo. Há, também, muitos homens fazendo esforços para abrir espaço para as diversidades neste mercado de startups, mas ainda precisamos de esforços maiores para que esse universo seja expandido e que possamos cada vez mais liderar rodadas de investimentos. 

Como surgiu a ideia de negócio da Feel? Quais os diferenciais da marca?

Marina: Surgiu conversando com mulheres sobre dados de sexualidade e intimidade, com a cocriação de produtos e intersecção de vários temas, como: corpo, saúde física e mental. Mapeamos toda a jornada da intimidade e as principais oportunidades de soluções destes micro momentos. A Feel sempre esteve próxima à comunidade, realizando pesquisas e criando produtos baseados em dados. O principal diferencial da Feel, em termos de modelo de negócios, é ter uma elasticidade que abarca desde produto até tecnologia. Hoje, nossos produtos possuem fórmulas naturais e veganas, aprovadas dermatologicamente, clinicamente e ginecologicamente pela Anvisa. 

Quais os planos para este ano?

Marina: Além de lançar novos produtos focados nos micro momentos da mulher, estamos estudando consolidações com outras startups, pensando em uma segunda rodada de investimentos. Apesar do nosso crescimento ser orgânico e sustentável, a gente busca a consolidação para abrir novos caminhos e acelerar o mercado das femtechs. 

A saúde íntima feminina ainda é vista como um “tabu”? Como vocês sentem esse tema e por que é tão importante trazê-lo para discussão?

Marina Ratton: Numa perspectiva histórica, o avanço feminino é razoavelmente recente. As mulheres tinham um espaço mais privado, dores abafadas, poucas mulheres nos espaços públicos, por isso, é natural que esses assuntos ainda sejam classificados como tabu. Hoje, com a chegada da mulher em diferentes áreas e espaços, como consequência, temas relacionados a nossa saúde e intimidade tem se tornado pauta para debates.

De acordo com o Female Founders Report 2021, apenas 3% das healthtech brasileiras são focadas na saúde feminina. Qual o potencial de mercado nesse nicho? O que ainda precisa ser explorado?

Marina: Temos um potencial enorme levando em consideração que existe uma jornada de micro momentos da mulher, onde trabalhamos produtos e serviços para a saúde feminina. Produtos e serviços para climatério e menopausa movimentam R$600 bilhões, fertilidade R$1,5 bilhão, sexual wellness R$35 bilhões. Os números citados aqui estão nos reports, mostrando os avanços que as femtechs estão obtendo a nível mundial e como o mercado é promissor aqui no Brasil também. 

Confira outras entrevistas do Economia SP Drops clicando aqui.

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