Investimentos em startups caem 44% no primeiro semestre

O primeiro semestre foi marcado por um contexto de inflação, juros altos e crise política global, que atingiu também o mercado de tecnologia.

Nesses seis meses, as startups brasileiras captaram US$ 2,92 bilhões ao longo de 327 transações, uma queda de 44% se comparado com o mesmo período do ano passado, quando foram US$ 5,26 bilhões em 416 transações.

Os dados fazem parte do mais recente Inside Venture Capital produzido pela plataforma de inovação Distrito, com apoio do Bexs Banco.

“As startups brasileiras sentiram os efeitos do cenário macroeconômico. Diante disso, muitas empresas estão mudando a operação privilegiando caixas mais sustentáveis em detrimento do crescimento exponencial. Os empreendedores terão de mostrar habilidade ao manobrar a empresa e provar que o modelo é adaptável a diferentes contextos”, afirma Gustavo Araujo, co-fundador do Distrito. 

O volume investido nos estágios iniciais, porém, cresceu. As rodadas do tipo seed (anjo, pré-seedseed) saltaram de US$ 151 milhões no último ano para US$ 282 milhões este ano, enquanto os rounds early stage (que compreendem as séries A e B) passaram de US$ 1,23 bilhão para US$ 1,39 bilhão. A queda se concentrou, portanto, nas startups em estágio avançado de crescimento: o montante desse grupo caiu de US$ 3,87 bilhões para US$ 1,24 bilhão

“A correção de valuation tende a afetar startups mais maduras, principalmente as que têm porte de unicórnio. Empresas iniciantes que tenham um bom time e solucionem dores relevantes do mercado ganham espaço agora”, complementa. 

As fintechs seguem liderando o ranking de investimentos por setor, no qual levantaram US$ 1,36 bilhão no período. Na sequência aparecem as retailtechs (US$ 366 milhões) e HRtechs (US$ 247 milhões).

FUSÕES E AQUISIÇÕES

As fusões e aquisições também tiveram uma retração no primeiro semestre, de 118 para 110 transações. Apesar da queda de cerca de 7%, o resultado é considerado positivo para empresas de tecnologia e corporações que buscam essa modalidade.

“A correção nos valuations que as empresas de tecnologia estão sofrendo as torna mais acessíveis às oportunidades de aquisição”, conclui.

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