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Crédito da foto: Maria Baigur

Futebol feminino americano traz à tona questão da equidade salarial entre homens e mulheres

Por Tatiana Sadala, cofundadora do Todas Group, plataforma digital de crescimento profissional feminino.

Após um acordo coletivo histórico fechado com a USS Soccer (Federação de Futebol dos EUA), os jogadores das seleções masculina e feminina dos Estados Unidos receberão pagamentos e bônus iguais, incluindo as Copas do Mundo. Sendo assim, a federação americana é a primeira a igualar a premiação entre times femininos e masculinos pela participação em mundiais.

Segundo a ESPN, durante as eliminatórias da última Copa do Mundo, a seleção feminina de futebol dos Estados Unidos chegou a ganhar seis vezes menos por vitória do que a seleção masculina. Essa determinação é de grande importância, uma vez que abre precedentes para que isso ocorra em outros lugares, e não apenas no futebol ou nos esportes, mas no mercado de trabalho em geral, já que a equidade de salários entre gêneros ainda não é uma prática na maioria dos países.

Uma vez que a vitória foi nos EUA para onde os olhares estão sempre atentos, torna-se de grande repercussão midiática. O país tomar essa decisão dá uma grande visibilidade à causa e mostra o seu posicionamento para o mundo. Uma coisa é certa: sem visibilidade – de espectadores, no caso – não há investimento e sem investimento não há visibilidade. Dito isso, um grande passo para que o futebol feminino definitivamente ganhe espaço e visibilidade na mídia e conquiste o público. 

De acordo com o levantamento da consultoria IDados, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE, mulheres ganham cerca de 20% menos do que os homens no Brasil e a diferença salarial entre os gêneros segue neste patamar elevado mesmo quando se compara trabalhadores do mesmo perfil de escolaridade e idade e na mesma categoria de ocupação.

A busca da mulher por equidade de gênero, em muitas esferas, está muito mais forte. Contudo, ainda existem muitas dificuldades em ajustar uma problemática histórica que persiste há décadas, principalmente quando pensamos na realidade do Brasil, onde – até pouco tempo atrás – de acordo com o Código Civil de 1916, a mulher não podia exercer trabalho remunerado sem a autorização do marido, não podia abrir conta em um banco sem a permissão do mesmo e nem jogar futebol**, lei que só foi abolida em 1962.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio de 2019 do IBGE, mesmo sendo maioria no ensino superior, as mulheres estão apenas em 37% dos cargos de liderança e ganham, em média, 77% do salário dos homens.

Globalmente, de acordo com a Mckinsey, 48% dos cargos de entrada nas empresas são ocupados por mulheres, enquanto nos cargos de gerência e diretoria elas são 35%. Para cargos C-level, a porcentagem é ainda menor, de 24%.

Por isso a união, não apenas das mulheres, é necessária nessa busca pela equidade. O governo também deve intervir com ações que revertam esse quadro e o pagamento de salários iguais se torne uma realidade no Brasil. Países como Canadá, França, Islândia e Noruega já possuem leis que visam igualdade salarial, inclusive com multas para as empresas que não cumprem a legislação.  

Por outro lado, o movimento das organizações para aumentar a equidade de gênero deve continuar avançando, uma vez que a diversidade e um ambiente de trabalho saudável, em que as pessoas sentem-se valorizadas, gera mais criatividade e inovação, resultando em mais ganhos para os negócios. 

Quando a seleção feminina de futebol tem essa vitória nos Estados Unidos, o mundo deve comemorar junto e aproveitar o momento, não perdendo a chance de disseminar, discutir e implementar ações práticas para equidade de gênero, um assunto tão complexo e necessário. “Gol!”

 *Em 1965, o Conselho Nacional de Desportos deliberou: Não é permitida a prática de lutas de qualquer natureza, futebol, futebol de salão, futebol de praia, pólo-aquático, pólo, rugby, halterofilismo e baseball.

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