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Foto: saifas5417/Pixabay

Como ensinar educação financeira para as crianças 

Despesas como conta de água, luz, telefone, pet shop, aluguel, compras e outros gastos, nem sempre é discutido com os filhos que, na maioria das vezes, não sabem o valor que é custear com estas obrigações.

Para Gustavo Rodrigues de Oliveira, coordenador do curso de Administração de Empresas da Faculdade Santa Marcelina, a educação financeira é fundamental e precisa se tornar um assunto presente no dia a dia das famílias:

“Sem dúvidas, é essencial ensinar crianças e adolescentes a desenvolverem de forma madura, o autocontrole, a autonomia e a responsabilidade, porque estes elementos os tornarão adultos mais maduros, dentro do domínio de suas escolhas pessoais e fará com que evitem cometer erros que coloque sua situação financeira em risco”.

Ele é mais um entrevistado do Economia SP Drops sobre como introduzir a educação financeira nas crianças de forma simples e acessível. Confira abaixo:

É interessante pais mantenham a cultura do cofrinho desde cedo? Por quê? 

Gustavo: Sim, pois ao mesmo tempo em que educa, serve como estímulo, diante de um sistema de recompensa, pois dada a importância do tema, nada melhor que a criança observar o valor de seu próprio esforço. Além disso, serve como estímulo no exercício de poupar, planejar, aguardar, valorizar o montante, impactando, como resultado, o orgulho imenso naquela criança que conseguiu se presentear.

Quais são as formar de ensinar a criança sobre educação financeira? 

Gustavo: Além dos primeiros passos, como o exemplo do cofrinho, em várias outras situações isso se mostra importante, como evitar o desperdício, o que desperta uma educação financeira social e ambiental, falar abertamente sobre dinheiro, conquistas e problemas que não saber administrá-lo e ainda trabalhar a ideia de investimentos de curto e longo prazo. A criança sempre adota meios de absorver os ensinamentos através de elementos lúdicos e até mesmo em brincadeiras um pouco mais realísticas, onde poderiam ser remuneradas por pequenas tarefas, de pequena complexidade, que refletissem o valor do resultado por seu trabalho ou atividade bem desempenhada.

A mesada pode fazer parte da educação financeira? Por quê? 

Gustavo: A mesada acaba sendo um elemento estratégico na educação financeira, porque faz a criança administrar o valor e perceber sua importância, em determinado tempo, considerando identificar, com o passar do tempo necessidades, prioridades e até mesmo elementos supérfluos. Além disso, as crianças com maior maturidade e consciência, objetivam alcançar desejos maiores, e tendem a “reter” o dinheiro por mais tempo até que isso seja alcançado. A mesada pode ser definida de acordo com o padrão estabelecido para a idade e o entendimento do uso de determinado recurso.

A educação financeira também serve para o consumo consciente?  

Gustavo: Sim, e isso pode e deve ser conseguido e reforçado positivamente com a mesada, considerando o destino de utilização do recurso. Crianças, habitualmente não tem despesas fixas, então pode-se estimular o uso do dinheiro de maneira prazerosa, livre do peso da consciência de usar o recurso sem pagar uma obrigação. Na realidade, o sentimento deve ser reverso, pois a criança de posse do recurso, deve avaliar, no limite de suas possibilidades, se tal despesa é necessária e indispensável naquela ocasião.

Qual a diferença entre o ‘querer’ e o ‘precisar’ na educação financeira? 

Gustavo: O grande dilema de necessidade e desejo é reforçado pelo apelo incansável das mídias e do consumismo. Vivemos numa era digital de grandes desafios e o gasto com itens necessários, justificam o querer utilizar o recurso. Do contrário, sem dar importância ao dinheiro, sem limites estabelecidos, há grandes chances de no futuro, tornar-se um adulto perdulário, na linguagem atual “ostentador”.

Como são as crianças que os pais não colocam limites financeiros? 

Gustavo: São crianças imediatistas e com comportamento fora do padrão de relacionamento e interação social, pois não veem limites para que seus desejos e caprichos sejam realizados. Não podem receber negativas como respostas, pois tendem a se fragilizar e se isolarem cada vez mais em virtude de sentimento de rejeição. Além disso, não conseguem fazer planejamento a médio e longo prazo.

O que isso pode acarretar no futuro? 

Gustavo: Uma obsessão desmedida pelo dinheiro, sem limites e imposto apenas por um comportamento acumulador e extremamente apegado aos bens materiais. Normalmente estas crianças tendem a crescer e se desenvolver com perfil menos humano, mais hostil e com menos importância nas relações pessoais.

A educação financeira em crianças é opcional ou um fator importante na educação? Por quê? 

Gustavo: É importante para desenvolver senso crítico de autonomia e tomada de decisão. O ser humano faz escolhas durante toda a vida e assim deve ser. A mesada educativa retira a ideia e o estigma de que os pais crescem apenas para pagar suas contas. Entre 5 a 7 anos as primeiras ideias sobre o dinheiro, para que serve e como deve ser utilizado, são passiveis de explicação neste contexto. Dê um cofrinho de presente para seu filho.

Como ensinar os filhos a lidar com o dinheiro facilmente? 

Gustavo: Fazê-los refletir sobre o valor das coisas e sobre a importância de ter o hábito de poupar, durante toda a vida. Um gasto inesperado e desnecessário, pode significar problemas futuros pela falta do recurso, ou mesmo diante de uma necessidade urgente e sem previsão daquele gasto, como acontece com despesas emergenciais, principalmente no caso de saúde. Investimentos de longo prazo, trazem resultados futuros consistentes. Deixar de gastar com cinema, fast-food, brinquedos e roupas com maior frequência, podem significar a realização de uma viagem dos sonhos, da compra de um instrumento musical, do pagamento de um curso, enfim, de algo que não transmita apenas a realização momentânea.

Os pais são espelhos para os filhos? Por quê? 

Gustavo: O exemplo vale muito mais do que dinheiro e os filhos só irão exercer e assimilar os ensinamentos sobre o que foi transmitido através da educação financeira, ou ainda aprendidos na escola e com os seus pais e familiares, se isso prevalecer como um exemplo positivo e admirável dentro de suas próprias casas. Pais perdulários e irresponsáveis estimulam filhos a também serem. O mesmo se dá com pais que ostentam, são inadimplentes ou irresponsáveis financeiramente. Cria-se o efeito dominó, onde todos sofrem pela ausência de modelos e hábitos financeiros positivos.

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