A importância da acessibilidade na moda

Por Raíssa Assmann Kist, CEO da Herself.

No Brasil, mais de 24% da população, 46 milhões de brasileiros, têm algum tipo de deficiência, de acordo com o Censo (2010).

Apesar do percentual elevado, o nicho de roupas adaptadas e roupas criadas especificamente para pessoas com deficiência ainda é pouco explorado e está sendo descoberto. 

O mercado para esse público tem grande potencial de crescimento. Internacionalmente, ele já se mostra um pouco mais ativo neste segmento.

Segundo dados da Coherent Market Insights (2017), esse mercado era estimado em 278 bilhões de dólares e, até 2026, ele poderá valer até 400 bilhões de dólares.

Existe aí um potencial que muitas vezes é negligenciado. Um levantamento aponta que menos de 2% das imagens da mídia mostram pessoas com alguma deficiência, então, essa representatividade acaba não sendo abordada na moda, em campanhas ou nas coleções.

Muitas vezes, também, se tem uma visão de uma moda que simplesmente faz a adaptação de roupas tradicionais para pessoas PcDs, mas este não é o melhor caminho.

As marcas precisam considerar uma criação do zero, aliando moda e tecnologia, a fim de proporcionar uma experiência única.

Deve-se entender os principais pontos da dor deste público e quais caminhos devem ser percorridos para desenvolver uma peça alternativa, além de considerar a participação ativa deste público na cocriação de soluções reais, que realmente façam sentido na rotina de quem irá utilizar as peças.

Nesse processo de cocriação das peças para o público PcD, faz-se necessária uma troca verdadeira e rica, considerando os feedbacks de quem irá utilizar o produto no dia a dia. 

Quais aviamentos são mais confortáveis, como é o tirar e colocar as peças,  quais são os ganhos e as limitações de cada material, etc. 

O objetivo de desenvolver peças adaptadas para PcDs deve ser a inclusão,  visando que os produtos atendam a todas as pessoas, levando praticidade para o cotidiano.

Acredito que, diante de contextos com  tantas necessidades negligenciadas, principalmente envolvendo o tabu da menstruação e a questão complexa  da pobreza menstrual, não existirão soluções únicas, fáceis e que farão sentido para todas as pessoas. 

Sendo assim, é  importante que o movimento esteja em constante evolução, criação e desenvolvimento, para melhor atender às especificidades e singularidades de diferentes pessoas e corpos que menstruam.

Por conta disso, existe essa visão de não fazer mais do mesmo. A moda deve ser vista como uma ferramenta de transformação.

É possível  desenvolver produtos que atendam a necessidades reais e que não sejam meramente estéticos, considerando também  conforto, autoestima e bem-estar. 

Nesse sentido, a moda deve ser cada vez mais inclusiva, rompendo estigmas e imposições de padrões que prejudicam a relação saudável com o próprio corpo. É necessário que a moda seja questionadora e traga uma visão mais democrática. 

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