55% das empresas atribuem desafios de ESG à falta de especialistas

As recentes transformações pelas quais o mundo está passando demandam das empresas postura mais ativa e responsável quanto ao seu papel na proposição de uma agenda ESG (sigla para compromisso com metas ambientais, sociais e de governança corporativa), o que incentiva a busca por profissionais qualificados na área.

No entanto, mais da metade das empresas indicam a escassez de especialistas como uma das principais barreiras para a implementação de estratégias vinculadas ao tema.

É o que aponta o novo Guia Salarial 2023 da Robert Half, reconhecido estudo da consultoria que levanta as tendências mais latentes do mercado de trabalho para o próximo ano. 

“Por se tratar de um assunto relativamente novo, o desafio de encontrar profissionais especializados é maior. As próprias áreas dentro das empresas ainda precisam entender quais efetivamente são as habilidades, técnicas e comportamentais, importantes para as posições”, explica Ana Carla Guimarães, gerente de negócios da Robert Half.  

Principais obstáculos para a adoção de práticas ESG dentro das empresas brasileiras

Ausência de uma área dedicada ao tema56%
Falta de profissionais qualificados e especialistas no assunto 55%
Limitação de fundos para implementação40%
Falta de apoio/empenho da liderança37%


“O contexto, é claro, gera ótimas oportunidades aos profissionais que investirem em qualificação. Hoje, o que se espera é a capacidade de compreensão e análise dos indicadores e metas da organização com o tema, identificação de oportunidades de desenvolvimento em ESG, aptidão para avaliação dos riscos relacionados a questões éticas e sociais da empresa, preparação e avaliação dos relatórios e indicadores relacionados à temática, e conhecimento para auxílio em estratégias de desenvolvimento de novos produtos e serviços com o menor impacto no meio ambiente e sociedade. E para executar tais funções, habilidades analíticas e boa comunicação são fundamentais”, destaca.

CULTURA CORPORATIVA OCUPA PAPEL CADA VEZ MAIOR NA ATRAÇÃO E RETENÇÃO

A cultura corporativa tornou-se muito relevante na atração e retenção de talentos. Progressivamente, o tema ESG vem ganhando destaque e orienta tanto a busca por emprego quanto a aceitação de uma oferta de trabalho.

A agenda chama a atenção dos colaboradores, pois simboliza os aspectos únicos de uma empresa, como sua ética, valores e crenças, e direciona suas práticas e formas de trabalho.

O estudo3 expõe que 78% das empresas afirmam ter notado maior atenção dos colaboradores com a cultura corporativa nos últimos 12 meses e 90% delas têm consciência de que uma cultura forte é essencial para atrair e reter pessoas talentosas.

Não é à toa que 48% dos recrutadores apontam diversidade, equidade e inclusão como um dos temas mais abordados pelos candidatos nas entrevistas. Ética e valores corporativos (47%) e fontes de financiamento e investimentos (38%) aparecem logo em seguida. 

Atentas à tendência, 31% das empresas já revelam usar a promoção de seus valores para atrair profissionais e 34% estão buscando melhorar a cultura corporativa como forma de reter talentos. 

O que as empresas têm feito sobre ESG e diversidade, equidade e inclusão?

Treinamentos de viés inconsciente41%
Tornar as ações de DEI e ESG públicas a todos os stakeholders 37%
Criação de grupos de apoio interno (comitês)37%
Mudanças para melhorar a experiência dos colaboradores34%
Mudanças nos processos seletivos (CVs ocultos, vagas afirmativas, etc)31%
Contratação de profissionais com foco em DEI e/ou ESG 30%


“As companhias devem ser mais transparentes com relação às suas práticas de ESG diante de profissionais cada vez mais atentos a esses critérios. Embora as escolhas profissionais sejam, em grande parte, orientadas pela remuneração, no final das contas, as pessoas buscam empresas cujos valores estejam alinhados aos seus. Em um mercado extremamente aquecido, isso fará diferença”, conclui.

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