O interior e comércio internacional

Por Marcos Escobar, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Catanduva (ACE).

São Paulo é o estado brasileiro que mais exporta seus produtos. Partindo do agronegócio, metalurgia e tantos outros setores, podemos dizer que não há qualquer item de interesse dos demais países do Globo em que os paulistas não produzam ou não exportem.

O estado é o número um no ranking de exportações e movimentou até outubro deste ano US$ 56,9 bilhões. De 26 estados e o Distrito Federal, somente São Paulo é responsável por 20,67% da participação das exportações brasileiras.

Por mais que o volume seja maior na capital e região metropolitana – o interior de São Paulo é potência quando falamos em mercado internacional.Em Marília, Araçatuba e Presidente Prudente, destacam-se as atividades relacionadas a agricultura, pecuária e serviços.

A cadeia produtiva de calçados masculinos da região de Franca, por exemplo, reúne mais de 3,7 mil micros, pequenas e médias empresas de cinco municípios, gera 51 mil empregos e produz cerca de 37 milhões de pares de calçados por ano, segundo informações da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico de São Paulo. A indústria calçadista atende ao mercado nacional e é responsável por algo em torno de 3% das exportações de calçados do país.

Na região noroeste paulista são cerca de 9 mil indústrias instaladas em 102 municípios abrangidos pelo Centro das Indústrias de São Paulo (CIESP). São cerca de 300 indústrias somente da área de alimentação, conforme a estimativa do Sindicato da Alimentação da Região de Catanduva.

Na microrregião de Catanduva temos frigoríficos, produção de cachaça, velas, peças, usinagem, calçados e móveis e muitos outros. O polo industrial da cidade é composto por uma grande diversidade de produtos. Para se ter uma ideia, 70% dos ventiladores comercializados em todo Brasil são produzidos em Catanduva. A cidade também tem as principais exportadoras de óleo de amendoim , café solúvel e descafeinado. Pasteurização de leite e produção de derivados, indústria gráfica, fábricas de doces e muitos outros.

Dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços mostram, por exemplo, que Araraquara exportou até outubro US$ 548,76 milhões em produtos. Ribeirão Preto atingiu a marca de US$ 331 milhões; São Carlos US$ 390 milhões.

Na região noroeste paulista, de janeiro a outubro de 2022, 23 cidades movimentaram cerca de US$ 780 milhões em produtos destinados a outros países. Catanduva é o município da região que mais exporta – US$ 258,2 milhões.

É com base em todo esse potencial e ciente de que a região e o interior de São Paulo tem ainda muito mais a explorar, apresentar e desenvolver, que a Associação Comercial e Empresarial (ACE) de Catanduva criou no ano passado o grupo NACE (Núcleo ACE de Comércio Exterior) que tem como o foco auxiliar os empresários de toda região no processo para os negócios internacionais. Orientá-los, auxiliá-los nos procedimentos, identificar o potencial dos produtos, trâmites burocráticos e muitos outros.

Desde o ano passado, a associação comercial tem realizado um evento que chamamos de Encontro NACE. É um movimento que traz para a região representantes de Câmaras do Comércio de diferentes países e continentes para dialogar com os empresários, aqueles que já possuem o perfil exportador ou aqueles que querem expandir os seus negócios.

Em 2022, a ACE vai trazer para Catanduva, no dia 23 de novembro, representantes da Ásia, Europa e Américas e pretende reunir mais de 200 empresários do interior. Na segunda edição, o evento já está inserido no calendário anual da associação e seguimos com o propósito de expandir e ampliar as negociações internacionais com foco no desenvolvimento da região noroeste paulista, do interior do Estado e consequentemente de todo o Brasil.

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