Metaverso, 5G, IoT e telemedicina: os impactos na saúde e na jornada do paciente

Por Leonardo Jorge Cordeiro de Paula é cardiologista, diretor acadêmico da Escola Brasileira de Medicina (EBRAMED), especialista em gestão de saúde e educaçã e cardiologista clínico pelo Incor.

E então começamos 2023, após um ano que fomos tomados por uma alta carga de estímulos digitais, que nos dão uma percepção muito mais acelerada do passar do tempo. Paralelamente a isso, também atingimos um estado de maturidade tecnológica, que vem permitindo a criação e o aprimoramento de diversas tecnologias que impactam diretamente o setor da saúde em todas as áreas de sua atuação. Dessa forma, 2023 promete uma nova e mais intensa avalanche de informações e soluções, para ajudar empresas e pacientes no cuidado desse bem tão importante e crucial a todos nós, que levamos a saúde à frente.

Começamos por uma tecnologia que surgiu neste último ano, em julho de 2022, que é rede de Internet 5G, criada com a missão de acelerar de forma excepcional a transmissão da informação sem fio, sendo até 20 vezes mais rápida que a tecnologia 4G. Ela impactará, positivamente, o aprimoramento das tecnologias utilizadas na saúde e em quesitos de precisão, qualidade, segurança e velocidade, gerando enorme evolução na saúde. O que chamamos de Internet of Things (IoT – internet das coisas), que se trata de uma tecnologia única que permite a interconexão de diversos dispositivos físicos por meio da internet será muito beneficiada.

Neste contexto, temos a integração de prontuários eletrônicos dos pacientes (PEP) com diversas interfaces, como documentos hospitalares, arquivos de exames e demais dados, de uma forma mais rápida e segura, garantido a qualidade das informações. Além disso, se faz possível ampliar o monitoramento e seguimento dos casos, como pela utilização de “Smartwatch”, relógios capazes de monitorar e transmitir diversos dados do utilizador em tempo real, sendo possível detectar mudanças na frequência cardíaca ou mesmo saturação de oxigênio.

Permite a rápida intervenção para cuidado da saúde, não só comunicando o usuário, mas alertando o centro que cuida do paciente para convocá-lo. É um instrumento que pode ser utilizado, com ótimo retorno, em portadores de marcapasso cardíaco, com envio imediato de alerta para seu prontuário em caso de detecção de problemas em seu funcionamento.

Telemedicina

Com informações transitando de forma mais rápida e precisa, fortaleceremos produtos como teleconsultas, telemonitoramento e as telecirurgias que se valem da tecnologia robótica para sua execução. Não só a possibilidade de acesso à telessaúde se expandirá para todos os cantos do país, mas também a possibilidade de interatividade com os dispositivos para exame físico à distância, que ficariam em posse do paciente ou profissional de saúde.

Todas essas inovações tecnológicas melhoram exponencialmente a qualidade para análise de segmentos como cavidade oral, conduto auditivo, fundo de olho, auscultas cardíaca e pulmonares, até sinais vitais de forma ampla amparado por equipamentos dedicados. A entrega de saúde a distância crescerá muito na qualidade e segurança nos próximos anos.

E temos também, não menos importante, o Metaverso, que seria um conceito de ambiente virtual de realidade aumentada, onde se faz possível ter a real sensação de que o usuário está ativamente realizando atividades sentado em uma cadeira. E neste mundo virtual, que quanto mais rápido, seguro e de qualidade for a transmissão da informação, melhor poderemos usufruir em saúde. No ambiente acadêmico podemos criar treinamentos e simulações realísticas que se confundirão com a realidade, estudo de anatomia humana e casos clínicos complexos.

Também permite estudo prévio de anatomia e técnicas cirúrgicas antes de sua execução. E obviamente podemos levar o metaverso para telemedicina, pois permitirá não somente a interação por uma câmera entre paciente e profissional de saúde, mas a entrada de ambos em um ambiente interativo, facilitando troca de informações e entendimento de condutas e receitas aplicadas.

Além disso, permite possibilitar uma maior humanização do atendimento, introdução de distrações para crianças em um momento de vacinação ou coleta de sague, fora outras tantas possibilidades que podem ser exploradas e aventadas com o uso recorrente da tecnologia. Em resumo, estamos vivenciando, em tempo real, uma nova era, em que essa rápida transmissão de dados mudará totalmente a forma que enxergamos e atuamos no universo da saúde.

Com a possibilidade de chegarmos as mais longínquas cidades do país, teremos cada vez mais oportunidade de trabalho para profissionais de saúde que se especializarem no uso da telemedicina/telessaúde, assim como será possível oferecer uma gama maior de ações sociais, introduzindo o uso da tecnologia aos profissionais e educação para aqueles que necessitam e não possuem condições de acesso.

O ano de 2023 trará muitas possibilidades e desafios, cabendo a nós aprender e se aprimorar para seguir essa onda de mudança e crescimento, pois literalmente, ele está somente começando. Avante!

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