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Foto: Paopano/AdobeStock

Venture capital: há espaço para novos unicórnios brasileiros em 2023?

Por Vinícius Cordoni, co-Ceo e fundador do Grupo VCRP Brasil.

No mercado de venture capital, o início de ano é sempre de muita expectativa. Mal começa janeiro e os empreendedores, investidores e usuários querem saber quais startups vão ditar as tendências até dezembro. Algumas pistas sobre os próximos passos podem ser encontradas no relatório “A Corrida dos Unicórnios”, da plataforma Distrito, que trata do momento das startups latino-americanas e daquelas que podem alcançar o tão sonhado valuation de US$ 1 bilhão no Brasil.

Desde 2018, quando startups de serviços conhecidas do público conquistaram o status de unicórnio, como Nubank, iFood e 99, a investida de fundos notáveis, a exemplo de Softbank,  Tiger Global, Kaszek e Canary, passou a ser algo mais frequente na região. O ano de 2021 teve o recorde de rodadas e de unicórnios: 40 empresas de tecnologia chegaram lá. Veio 2022, e, com a instabilidade econômica no mundo, não só o valor de mercado das companhias foi reajustado, como também o dinheiro disponível ficou mais escasso.

Com a seletividade maior de investidores e a busca por negócios que tivessem algum grau de maturidade, o ano passado fechou com apenas oito novos unicórnios na América Latina, segundo a Distrito. No Brasil, foram dois: as fintechs Dock e Neon. Não é segredo que as fintechs dominam a região – hoje, elas representam 40,9% dos unicórnios atuais. Os demais setores são pulverizados entre empresas de varejo, mobilidade e supply chain. Entre eles, constam foodtechs como Rappi, NotCo e Cornershop.

Para 2023, há poucas certezas e muitas dúvidas.  Questionado sobre o momento atual do mercado, o managing partner e head do japonês Softbank, Alex Szapiro, diz que o cenário no ano passado foi de cautela. Mas que “esse freio de ajuste não alterou a nossa tese de investimento”. “Acreditamos que existem muitas oportunidades na região”, afirmou Szapiro.

O levantamento aponta, ainda, que em razão das instabilidades, como uma eventual recessão no mundo, os negócios que ultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão quando os ventos eram favoráveis têm agora a preferência dos investidores. A Distrito diz que, hoje, é difícil prever “se veremos um unicórnio ainda em 2023 no Brasil”.

Falando do Brasil, há 50 aspirantes a unicórnios. E elas estão caminhando para conseguir tamanho destaque. Juntas, essas companhias receberam US$ 5 bilhões, sendo que 48 (94%) já passaram pela Série A. Outras 38 (76%) fizeram rodadas Série B e C, o que significa que o ecossistema vem mantendo a régua elevada para novos aportes. “São startups que já possuem modelos de negócio mais validados e, no geral, levantaram quantias superiores comparadas ao restante das empresas em seus respectivos setores”, diz o relatório. Apenas sete realizaram uma Série D.

Das 50 empresas listadas, 10 parecem estar à frente nessa incansável corrida. Elas merecem a nossa atenção. A Petlove, startup fundada em 1999 e que funciona como um petshop online, e Artigo Energia, focada em acelerar a construção de novas fazendas de energia solar e na expansão do serviço para outros territórios, são as empresas que receberam os maiores fundings nas rodadas recentes. A Petlove fez uma Série C de US$ 145,9 milhões, enquanto a Artigo Energia levantou US$ 145 milhões em uma Série D.

O maior interesse dos investidores na temática ESG também traz para a mesa a Solfácil, startup fintech que concede crédito a integradores de energia solar, profissionais que instalam kits de painéis solares em residências. Somente em 2022, a empresa fez duas captações, sendo uma de US$ 100 milhões e outra de US$ 30 milhões.

Apontada como provável unicórnio, a proposta da Pismo é acelerar o desenvolvimento de tecnologias para bancos, como pagamentos e transações, por meio de um sistema baseado em computação em nuvem. Por isso, já recebeu cerca de US$ 118 milhões de investidores como Amazon, SoftBank e Accel.  Outra que pode chegar lá é a Omie, que tem uma plataforma de sistema de gestão integrado (ERP) no modelo de Software as a Service (SaaS). Em agosto de 2021, a empresa conseguiu uma Série C de US$ 110 milhões, e, no total, os aportes beiram os US$ 140 milhões.

A presença da Flash na lista, que passou por uma Série C de US$ 100 milhões em março do ano passado, mostra que as plataformas de benefícios corporativos estão em alta. Na Alura, o modelo de ensino à distância para ensinar de marketing digital à programação, coloca a edtech entre as favoritas para ascender à lista de unicórnios nacionais. Com a oferta de vinhos online, uma das bebidas preferidas dos consumidores nacionais, a Evino também tem presença garantida. Seu último aporte, em março do ano passado, foi de US$ 127,2 milhões.

Não é possível esquecer da Cora. Banco digital focado em pequenas e médias empresas (PMEs), a Cora captou US$ 116 milhões (cerca de R$ 600 mi à época) em uma Série B com Greenoaks Capital, Tiger Global e Tecent em agosto de 2021. Por fim, há também a Cerc. Com serviços como registro de recebíveis e de duplicatas, a empresa se coloca como um ‘one-stop shop’ para o segmento de infraestrutura de mercado. Em outubro passado, a Cerc engordou o caixa com um cheque de US$ 100 milhões.

Pode ser que essas empresas não estejam na B3, na Bolsa de Nova York ou na Nasdaq ainda neste ano. Entretanto, quem pensa a longo prazo deveria olhar para esses negócios.

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