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É preciso quebrar o status quo do ecossistema de inovação

Foto: divulgação.

Por Jaana Goeggel, co-fundadora da Sororitê.

No mercado, a inovação é uma constante fundamental para o avanço e sobrevivência dos negócios. Entretanto, em um ecossistema composto majoritariamente por homens, com convenções sociais inadvertidamente enviesadas, muitas vezes, mulheres são colocadas nas margens, sem a oportunidade de apresentarem soluções para dores que são, frequentemente, negligenciadas. E, apesar do crescimento recente em empresas e soluções que têm seus serviços criados por mulheres e, muitas vezes, para mulheres, como é o caso das femtechs, ainda há um longo caminho para incentivar essa disrupção.

A quebra dos paradigmas

A inovação vive de romper o status quo. Nesse sentido, como podemos esperar que as mesmas mentes que criaram essa conjuntura vão quebrá-la e nos levar a um mundo diferente? Ainda, para além do desenvolvimento de novas tecnologias, pesquisas apontam que times diversos também permitem diferentes experiências ao abordar uma situação, colaborando para melhor tomada de decisões, entendimento de mercado e, até, desempenho financeiro. O ponto é: sem diversidade, o mercado se torna limitado. Ainda assim, mulheres continuam sofrendo com dificuldades próprias do preconceito de gênero.

Barreiras do mercado

Todas essas barreiras são notáveis nas mais variadas etapas do processo de empreender e inovar. Por exemplo, em muitos casos, na fase preliminar de desenvolvimento do produto, as dores que as empreendedoras querem resolver não são reconhecidas pelos donos do capital como graves ou relevantes, porque são problemas rotulados como “coisa de mulher”. Já para aquelas que chegam aos investidores, estudos da Universidade de Columbia e da Harvard Business School mostram que elas recebem mais perguntas sobre o que pode dar errado em seus empreendimentos, enquanto os homens são questionados sobre o potencial do projeto e a experiência de mercado. E os vieses não param por aí.

Essa foi uma das dificuldades enfrentadas, por exemplo, pela Feel, startup que desenvolve soluções para a saúde e bem-estar íntimo da mulher investida pela Sororitê. Mesmo com um produto sólido e possibilidades reais de crescimento, não tiveram retornos de investidores homens. Hoje, mais de 90% de suas investidoras são, justamente, mulheres.

Derrubando essas barreiras

Para que haja essa inovação, então, é necessário capital e, portanto, é fundamental ter diversidade não só entre desenvolvedores (pesquisadores e fundadores), como também entre tomadores de decisões de financiamento, seja em órgãos públicos, nas grandes empresas ou em fundos de investimento. No Brasil, onde a carreira em capital de risco não é conhecida, se torna essencial aumentar a visibilidade da indústria de Venture Capital entre estudantes – principalmente, entre jovens mulheres.

Nós precisamos, cada vez mais, abrir portas e desenvolver talentos. Criar comunidades e redes de apoio, estabelecer fundos dedicados e incentivos fiscais e criar um ambiente propício ao aprendizado. Só assim nós podemos mudar o status quo do mercado.

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