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3 mitos sobre a participação de mulheres no ecossistema de inovação

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Jaana Goeggel Sororitê
Foto: divulgação

Apesar do crescimento no número de mulheres que atuam no ecossistema de inovação em cargos de liderança, investidoras ou como membras fundadoras, ainda há um longo caminho a ser percorrido em termos de oportunidades.

Para ilustrar, uma pesquisa publicada pelo Fórum Econômico Mundial, indica que, com a velocidade de progresso atual, ainda serão necessários 134 anos para que seja atingida a paridade de gênero em áreas como política e mercado de trabalho.

Nesse sentido, é inegável que ainda existem vieses que permeiam a tomada de decisões de investidores e empreendedoras.

“Se não temos diversidade entre as pessoas procurando solucionar questões da nossa sociedade, sempre vamos enxergar só uma parte limitada das respostas e dos problemas, que vão continuar sendo cheias de preconceitos. Por esse motivo, é importante desmistificar as bases em que foram construídas alguns dos preceitos do ecossistema de inovação”, explica Jaana Goeggel, cofundadora da Sororitê, maior rede de investidoras-anjo mulheres do Brasil.

É com esse propósito que Jaana desvenda alguns mitos sobre as mulheres que estão transformando as startups brasileiras. Confira:

“Não existem mulheres desenvolvendo soluções”

Mulheres estão empreendendo. Dados da Liga Ventures, por exemplo, mostram que 31% das startups brasileiras têm pelo menos uma mulher no time fundador.

Ainda assim, este número cai para 5.5% quando se olha para as startups que receberam investimento, segundo o Female Founder report 2020, e para 2% para investimentos naquelas que têm times formados só por mulheres. Isso porque, muitas têm suas oportunidades limitadas para além dos desafios habituais do desenvolvimento de um novo negócio, sofrendo com dificuldades causadas pelo preconceito de gênero.

Problemas para captar recursos e a falta de incentivo para a criação de uma rede de apoio e capital intelectual, são só alguns dos pontos que atrasam o potencial de crescimento dessas fundadoras. É impossível empreender sem suporte. Mulheres vão empreender mais, uma vez que forem aceitas no mercado.

“Não há espaço para soluções de femtechs nichadas”

“Muitas vezes, o problema que elas querem resolver não é reconhecido pelos donos do capital como grave e relevante. Tudo porque as soluções afetam, principalmente, mulheres, seja por uma questão de biologia ou cotidiano. Mas, olhando para os ‘problemas invisíveis” e propondo respostas para eles, também estamos colaborando para a transformação da sociedade”, explica Jaana.

Ainda, para além do impacto social latente, há grande potencial de escalabilidade financeira para as femtechs. Pesquisa da Frost e Sullivan, por exemplo, indica que, até 2025, essas startups podem movimentar até US$ 50 bilhões.

“Startups fundadas por mulheres têm mais dificuldade em gerar receita”

Dados da Boston Consulting Group indicam que startups fundadas por mulheres geram 10% a mais de receita a longo prazo. Tudo isso, enquanto recebem menos investimento e são mais questionadas sobre as suas empreitadas do que fundadores homens.

“As empreendedoras são questionadas sobre a capacidade de executar seus planos. Então, por falta de confiança nas habilidades delas, não conseguem levantar capital. Elas recebem mais perguntas sobre tudo que pode dar errado e como elas vão mitigar os riscos, enquanto os homens são questionados sobre o potencial do negócio e a visão deles. Mudanças nesse cenário só serão possíveis se começarmos a mudar os vieses inconscientes do mercado”, finaliza.

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