Por Fernando Trota, CEO da Triven.
Nos últimos meses, grandes corporações globais como Disney, Google e Meta anunciaram revisões em suas políticas de diversidade e inclusão, refletindo um movimento de adaptação a um cenário político e econômico mais conservador. Esse contexto traz à tona uma reflexão essencial: como as empresas podem manter ambientes diversos e, acima de tudo, respeitosos, independentemente das mudanças em suas estratégias de inclusão?
Ao meu ver, a diversidade é um valor fundamental, mas o respeito deve estar sempre no centro dessa discussão. Creio que é fundamental construir ambientes onde todas as pessoas se sintam valorizadas, independentemente de suas origens, identidades ou perspectivas. Isso não se trata de seguir tendências, mas de garantir que equipes e os profissionais estejam preparados para cultivar espaços verdadeiramente colaborativos.
Diversos estudos mostram que a diversidade não é apenas uma questão social, mas um motor de inovação e lucratividade. De acordo com pesquisa da McKinsey, empresas com equipes diversas têm 36% mais chances de superar concorrentes em desempenho financeiro. Além disso, segundo a Harvard Business Review, organizações que investem em inclusão são 1,7 vezes mais inovadoras. Diante desses números, reduzir investimentos em diversidade pode limitar o potencial de crescimento e inovação das empresas.
A diversidade como estratégia sustentável
No Brasil, vejo um cenário desafiador, mas também cheio de oportunidades. Enquanto algumas empresas estão revendo suas políticas de inclusão, acredito que a diversidade deve ser tratada como um valor essencial e uma estratégia de impacto para os negócios. Não se trata apenas de cumprir metas, mas de construir ambientes onde a pluralidade de ideias gere inovação e crescimento sustentável.
Na minha experiência à frente da Triven, percebo que o investimento contínuo na capacitação da equipe é fundamental para criar uma cultura organizacional que valorize as diferenças. Isso é ainda mais relevante considerando o modelo de atuação as a Service, em que alocamos profissionais de recursos humanos em diversas empresas com culturas organizacionais distintas. Para que essa integração seja bem-sucedida, é essencial que nossos colaboradores tenham um olhar sensível e inclusivo, respeitando as particularidades de cada ambiente de trabalho.
Para fomentar a capacitação das equipes nesses casos, parcerias são grandes aliadas. Aqui na Triven, por exemplo, contamos com apoio da ORPAS, organização com duas décadas de atuação em letramento racial e desenvolvimento de negócios periféricos. Entendo que ações do tipo não são medidas pontuais, mas sim um processo de aprendizado constante para enriquecer práticas do dia a dia.
Essa decisão precisa estar alinhada aos principais objetivos da empresa. No meu caso, está envolvida uma crença pessoal: promover ambientes diversos é uma estratégia inteligente para impulsionar a inovação. Ao capacitar lideranças para lidar com realidades e perspectivas diversas, fortalecemos não só a nossa equipe, mas também os negócios dos nossos parceiros.
Diversidade no contexto ESG
No cenário corporativo atual, a sustentabilidade vai além do meio ambiente, abrangendo também aspectos sociais e de governança – o ESG. E a diversidade é um componente essencial desse contexto. Empresas que promovem ambientes inclusivos ampliam seu repertório de ideias, atraem talentos diversos e se posicionam como referências de responsabilidade social.
No entanto, é preciso consistência. As iniciativas de diversidade só geram resultados efetivos quando integradas à estratégia de longo prazo. Isso exige capacitação contínua, políticas de respeito e valorização das diferenças e, acima de tudo, uma liderança comprometida com a inclusão.
Recuar em investimentos em diversidade pode parecer uma resposta pragmática a curto prazo, mas compromete o potencial inovador das equipes diversas. O momento exige consistência e visão de futuro. Investir em diversidade é fortalecer um diferencial competitivo e impulsionar o crescimento sustentável.