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O novo ciclo da TI em 2026: IA, nuvem, segurança e talento como vetores de transformação

Foto: divulgação
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Por Antonio José de Freitas, CEO da Dexian Brasil.

O mercado global de tecnologia da informação vive um dos ciclos mais dinâmicos das últimas décadas. À medida que empresas de todos os setores aceleram a adoção de inteligência artificial, modernização de infraestrutura e migração para ambientes de nuvem, os gastos globais com TI devem ultrapassar a marca dos US$ 6 trilhões em 2026, segundo projeções de institutos líderes do setor. Essa transformação profunda aponta para novos modelos de negócio e uma demanda sem precedentes por profissionais qualificados.

Esse movimento de reorganização tecnológica, impulsionado principalmente por software, serviços corporativos e data centers, chega ao Brasil com força total. O país já lidera os investimentos em TI na América Latina e ocupa posição relevante no ranking mundial, apresentando crescimento consistente em soluções de infraestrutura digital e serviços especializados.

No contexto brasileiro, quatro vetores de transformação merecem destaque. O primeiro é a expansão da computação em nuvem em modelos híbridos e multi-cloud, que avança rapidamente e demanda uma infraestrutura mais robusta, interoperabilidade entre serviços e investimentos crescentes em data centers, conectividade de alta performance e plataformas de gestão cada vez mais sofisticadas.

Outro movimento relevante é o fortalecimento da inteligência artificial como o grande motor de inovação. A fase experimental ficou para trás. As organizações já aplicam IA de forma prática e em escala, automatizando fluxos de trabalho, aprimorando experiências de atendimento e explorando análises preditivas que geram impactos reais nos negócios.

A segurança cibernética também se consolida como peça central desse ecossistema. Ambientes digitais cada vez mais complexos e regulamentações mais rigorosas, como a LGPD, ampliam a importância da proteção de dados. A cibersegurança deixa de ser tratada como custo e passa a ser vista como investimento estratégico, essencial para garantir continuidade operacional, confiança e conformidade.

Por fim, permanece o desafio da formação e da disponibilidade de talentos. A velocidade da evolução tecnológica supera a capacidade de preparar profissionais em áreas críticas como engenharia de dados, machine learning, DevOps e segurança da informação. Esse cenário reforça a necessidade de modelos flexíveis de contratação e do apoio de parceiros especializados em staff augmentation, garantindo que as empresas tenham agilidade e acesso à expertise necessária para sustentar seus projetos de transformação digital.

Essa escassez de especialistas, aliás, representa um dos grandes desafios para 2026. Por isso, empresas que desejam manter a competitividade precisam olhar para estratégias de recrutamento global, programas contínuos de capacitação e, cada vez mais, parcerias com organizações especializadas em staff augmentation e serviços gerenciados (Managed Services) para acessar talentos e soluções sob demanda.

Como executivo de uma empresa global com foco em tecnologia e força de trabalho altamente qualificada, observo diariamente a intensidade dessa transformação. Vivemos um momento singular, a combinação entre capital disponível, maturidade digital das empresas e novas arquiteturas de IA e Cloud torna o ambiente extremamente favorável para inovação, produtividade e geração de valor. No Brasil, isso se traduz em oportunidades inéditas para investimentos em infraestrutura e desenvolvimento de pessoas.

A entrada em 2026 exigirá das organizações um equilíbrio estratégico entre tecnologia e talento. Será indispensável investir mais, e melhor, em plataformas que suportem IA e segurança cibernética, e em arquiteturas escaláveis. Mas, acima de tudo, será preciso estruturar times capazes de operar essa tecnologia com profundidade e qualidade. É essa convergência entre capacidade técnica e capital humano que determinará quem aproveitará o potencial do ciclo de crescimento que se inicia.

O futuro da TI no Brasil passa por decisões que estão sendo tomadas agora. As empresas que conseguirem alinhar investimentos estratégicos, inovação contínua e o desenvolvimento prioritário de seus talentos terão não apenas um ano promissor, mas uma vantagem competitiva duradoura em um mercado cada vez mais globalizado e, ainda que possa parecer paradoxal, cada vez mais dependente da capacidade e inteligência de suas pessoas. 

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