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Em alta, profissão de Planejador Financeiro promete transformar empresas em 2026

Foto: divulgação
Foto: divulgação

A profissão de Planejador Financeiro está entre as mais promissoras do mercado brasileiro em 2026, segundo ranking divulgado pelo LinkedIn, onde aparece na terceira posição.

A valorização do cargo acontece em um momento delicado para o país com a Reforma Tributária começando a valer na prática, os juros continuam altos com a SELIC em patamares elevados e o mercado enfrenta muitas incertezas.

“Em 2026, o diferencial não é ter o melhor produto, mas sim a melhor inteligência sobre os números. Empresas que não possuem um Planejador Financeiro forte tendem a tomar decisões baseadas no ‘feeling’, o que se torna fatal”, afirma Matheus Lorenzi, executivo sênior em Finanças e sócio da consultoria Rossetto & Lorenzi, com mais de 15 anos de experiência em empresas nacionais e multinacionais.

3 situações em que o profissional se torna indispensável

Ele explica que o Planejador Financeiro se tornou essencial em três tipos de empresas. No primeiro caso, quando a companhia está em crise ou passando por reestruturação, o profissional atua como um cirurgião:

“Quando a empresa está em crise, não há margem para erro. O foco total está no Fluxo de Caixa Direto, identificando exatamente onde a empresa está sangrando, seja em unidades de negócio ou produtos deficitários, priorizando o pagamento de dívidas e a manutenção da operação essencial”.

Com os juros nas alturas, o custo das dívidas fica ainda mais pesado. Por isso, o Planejador Financeiro precisa negociar com credores usando projeções realistas e buscar formas de otimizar o dinheiro que circula na empresa, reduzindo estoques e encurtando prazos de recebimento para evitar empréstimos caros.

A segunda situação envolve empresas que estão mudando completamente seu modelo de negócio, seja para se tornarem digitais ou mais sustentáveis, seguindo critérios ESG. Nesses casos, o Planejador Financeiro atua como um navegador.

“A transformação exige investimento substancial em alocação de capital, e o Planejador Financeiro avalia se o retorno sobre o investimento da nova tecnologia compensa o abandono do modelo antigo. Como o ano de 2026 marca o ano da alíquota teste de 1% para IBS e CBS, o Planejador Financeiro deve simular como o novo modelo de negócio será tributado. Uma empresa que migra de produto para serviço, por exemplo, pode ver sua carga tributária mudar drasticamente com o fim do ISS e ICMS e a entrada do IVA Dual”, complementa.

No terceiro cenário, empresas que estão crescendo muito rápido enfrentam um perigo chamado “overtrading”, crescer até quebrar por falta de dinheiro em caixa. O Planejador Financeiro funciona como um limitador de velocidade. Em vez de olhar apenas o faturamento, o profissional analisa métricas como o LTV/CAC, que mede quanto vale um cliente em relação ao custo para conquistá-lo.

“Ele garante que cada novo real de crescimento gere margem e não apenas volume. Em um mercado estagnado, crescer significa roubar fatia dos concorrentes, e o Planejador Financeiro usa Pricing Intelligence para descobrir até onde a empresa pode baixar o preço sem destruir sua margem operacional”, detalha.

O que o profissional precisa saber

Para trabalhar neste cenário complexo, o profissional precisa desenvolver três competências fundamentais. A primeira é ter visão estratégica e contextual, entendendo o cenário econômico e geopolítico para conectar os números às estratégias da empresa.

A segunda é dominar profundamente a análise financeira, com conhecimento em fluxo de caixa, investimentos, retorno sobre investimento e métricas de eficiência. A terceira é ter capacidade de adaptação e aprendizado contínuo, essencial em um ambiente de mudanças constantes nas regras e volatilidade econômica.

Decisões baseadas apenas em intuição se tornam fatais quando três situações acontecem ao mesmo tempo. A primeira ocorre quando o governo muda as regras do jogo, como está acontecendo com a Reforma Tributária.

A segunda é quando o banco cobra 12% ou mais ao ano para financiar o crescimento da empresa. E a terceira acontece quando o cliente tem menos dinheiro no bolso devido à economia estagnada e aos riscos de mercado.

“Neste contexto, o Planejador Financeiro não é apenas um cargo em alta, mas uma necessidade de sobrevivência empresarial”, conclui o especialista.

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