Por David Braga, CEO, board advisor e headhunter da Prime Talent Executive Search.
Para empresas que buscam uma vantagem competitiva muitas vezes invisível, mas amplamente sentida, o ponto de partida é a saúde mental.
Ela atua como uma engrenagem silenciosa da produtividade, da sustentabilidade e do crescimento econômico. Ignorar esse tema pode até gerar resultados no curto prazo, mas compromete a perenidade do negócio.
É por isso que a saúde mental se conecta diretamente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS): ela oferece a base humana, ética e econômica necessária para transformar compromissos em ações concretas.
Ao conectar a saúde mental a seis ODS e trazê-la para o cotidiano das empresas, o impacto se torna evidente. No ODS 3, Saúde e Bem-Estar, os ganhos aparecem na base da operação, com menos adoecimento, menos afastamentos e decisões mais equilibradas.
No ODS 8, Trabalho Decente e Crescimento Econômico, ambientes emocionalmente saudáveis reduzem burnout e rotatividade, ao mesmo tempo em que ampliam engajamento, produtividade e qualidade das entregas.
Já no ODS 4, Educação de Qualidade, a saúde mental sustenta o aprendizado contínuo, pois não há desenvolvimento ou inovação sem foco, segurança psicológica e capacidade cognitiva preservada.
Essa agenda atravessa cultura, equidade e governança. No ODS 5, Igualdade de Gênero, contribui para ambientes mais seguros, que enfrentam assédio e vieses com seriedade e criam condições reais de equidade.
No ODS 10, Redução das Desigualdades, fortalece uma inclusão genuína, percebida no pertencimento, no respeito às diferenças e na redução de discriminações cotidianas.
E no ODS 16, Paz, Justiça e Instituições Eficazes, a saúde mental impulsiona lideranças mais éticas, decisões mais responsáveis e estruturas de governança mais sólidas e confiáveis.
Nesse contexto, o papel das lideranças é absolutamente central. Não há avanço real nos ODS sem líderes emocionalmente preparados para lidar com pressão, ambiguidade e responsabilidade. São eles que moldam o clima, autorizam ou inibem comportamentos, definem prioridades e transformam políticas em prática.
Lideranças que cuidam da própria saúde mental e promovem ambientes de segurança psicológica contribuem diretamente para decisões mais justas, relações mais saudáveis e resultados mais sustentáveis.
Já líderes adoecidos emocionalmente tendem a gerar culturas tóxicas, retrabalho, conflitos e riscos que custam caro às organizações.
A reflexão final é simples e poderosa: não existe desenvolvimento econômico longevo sem saúde mental.
Tratar o tema como custo é adiar um problema que se manifesta depois em perdas invisíveis, erros estratégicos e desgaste humano profundo. Enxergar saúde mental como investimento é construir organizações mais resilientes, lucrativas e humanas.
No fim, cuidar da mente das pessoas não é apenas fazer o que é certo, mas garantir que o futuro continue possível, para os negócios, para a sociedade e para as próximas gerações.