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Empresas erram ao tratar falhas de gestão como de engajamento

Virgilio Marques dos Santos, sócio-fundador da FM2S Educação e Consultoria.
Foto: Isaque Martins.

A queda no desempenho das equipes nas empresas não está associada à falta de esforço dos profissionais, mas à forma como o trabalho é organizado.

A avaliação é do gestor de carreiras e sócio-fundador da FM2S Educação e Consultoria, Virgilio Marques dos Santos, que aponta falhas estruturais nos modelos de gestão como principal origem do chamado desengajamento.

Segundo ele, muitas organizações mantêm rotinas que consomem tempo e energia sem gerar impacto mensurável, como processos excessivamente burocráticos, reuniões extensas e atividades que não se traduzem em valor para o cliente ou para o negócio.

“Quando o esforço não se converte em resultado, o desempenho cai. Não por desinteresse, mas por má alocação do trabalho”.

Outro fator central é a condução da liderança. Para ele, gestores que concentram a cobrança em ciclos longos e oferecem pouco acompanhamento ao longo do processo ampliam a desconexão das equipes.

“Cobrar resultado apenas no fim do mês não sustenta produtividade. As pessoas precisam de orientação frequente para ajustar rota e tomar decisões melhores no dia a dia”.

O especialista também critica iniciativas pontuais de clima organizacional utilizadas como resposta a problemas estruturais.

“Ações simbólicas não compensam ausência de perspectiva profissional. O que sustenta desempenho é remuneração compatível, aprendizado contínuo e clareza sobre possibilidades reais de crescimento”.

Para o gestor, enquanto empresas insistirem em tratar a queda de produtividade como um problema comportamental ou geracional, deixam de enfrentar o núcleo da questão. Ele acredita que produtividade é consequência direta do sistema de trabalho. Quando o sistema é confuso ou ineficiente, o resultado aparece na mesma medida.

Como encaminhamento, Virgilio defende intervenções objetivas na gestão do trabalho, como a revisão de processos para eliminar atividades sem impacto prático, maior presença da liderança no acompanhamento das equipes e definição clara de critérios de desenvolvimento e progressão profissional.

“Quando o trabalho faz sentido, a liderança orienta e o caminho está claro, o desempenho deixa de ser um problema”, conclui.

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