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O acordo Mercosul–União Europeia abriu o mercado europeu, mas não para todo mundo

Foto: divulgação
Foto: divulgação

Durante anos, o acordo entre Mercosul e a União Europeia foi tratado como uma promessa distante, mas agora, ele começa a sair do papel e reaparece no discurso empresarial como sinônimo de oportunidade.

Mas é aqui que mora o principal equívoco, esse acordo, de fato, reduz tarifas e amplia o acesso ao mercado europeu, o que ele não faz é simplificar a vida de quem acredita que internacionalizar se resume a exportar, emitir uma nota fiscal e esperar o cliente europeu bater à porta.

Para empresas paulistas, especialmente as de base tecnológica, serviços, software e B2B, o acordo abre portas sim, mas só atravessa quem estiver estruturado.

São Paulo no centro do jogo, e também do risco.

São Paulo é o principal motor econômico do Brasil, ele concentra indústria, agronegócio, serviços financeiros, investimentos, tecnologia, startups e empresas B2B com alto potencial de escala internacional, é justamente por isso que o impacto do acordo é maior nesse estado.

Enquanto parte do discurso público ainda associa o Mercosul–UE apenas a agro e indústria pesada, o texto do acordo e a prática mostram outra realidade: serviços, tecnologia, software, inovação e modelos B2B entram com força, mas o problema é que, nesses setores, a barreira nunca foi tarifária, sempre foi estrutura, planejamento e direção.

O choque entre expectativa e realidade

Na prática, o acordo muda o ambiente competitivo, mas eleva o nível de exigência, ele reduz custos de entrada, sim, mas aumenta o rigor em três frentes centrais:

  • regras de origem e rastreabilidade
  • exigências regulatórias e de compliance
  • estrutura contratual e jurídica internacional

Empresas que operam com software, SaaS, serviços digitais ou soluções B2B costumam subestimar esse ponto, mas muitos acreditam que, por não lidarem com bens físicos, estão fora do radar regulatório europeu e NÃO ESTÃO.

Proteção de dados, responsabilidade contratual, estrutura societária, compliance fiscal, modelo de precificação internacional e governança passam a ser determinantes, e sem isso, o acesso existe no papel, mas não na prática.

Tecnologia e serviços também estão no acordo, e talvez sejam os maiores beneficiados

Há uma leitura equivocada de que o Mercosul–UE favorece apenas quem exporta produtos físicos, e principalmente para São Paulo, essa visão é limitada, uma vez que, empresas de tecnologia, software, consultoria, engenharia, fintechs, health techs e serviços especializados ganham:

  • previsibilidade regulatória
  • segurança jurídica nas relações comerciais
  • redução de barreiras indiretas à contratação internacional
  • maior competitividade frente a empresas de outros mercados emergentes

Mas esses benefícios só se materializam para quem entende que internacionalização não é operação comercial isolada, e sim um movimento financeiro, jurídico e estratégico integrado.

Aqui está o ponto central que poucas análises dizem com clareza: O acordo não democratiza o acesso ao mercado europeu, ele seleciona empresas que:

  • tratam internacionalização como estratégia, não como tentativa
  • estruturam contratos, operações e governança antes de vender
  • entendem a lógica financeira e regulatória de operar fora do Brasil

Quem entra despreparado e na emoção,  enfrenta atrasos, custos inesperados, bloqueios regulatórios e, em muitos casos, recua após os primeiros contratos.

Menos discurso, mais realidade

Para empresas brasileiras, especialmente as de base tecnológica e B2B, o acordo Mercosul–União Europeia representa uma oportunidade concreta, mas não é um atalho, nem um pulo para o futuro da internacionalização da sua empresa.

O acordo visa uma necessidade obrigatória de planejamento estratégico, estrutura e maturidade. E fica o alerta: Não compensa o improviso na internacionalização do seu negócio.

O mercado europeu está mais acessível, mas também está mais exigente!

No fim, o acordo não pergunta quem quer internacionalizar, mas pergunta quem está pronto para operar fora do Brasil de verdade?

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Co-fundador da Flow Vista

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