Por Ricardo Chalfin, CEO e fundador da Wind Capital.
O ano de 2026 se apresenta como um ponto de inflexão para o mercado imobiliário brasileiro.
A gestão condominial, historicamente tratada como uma atividade operacional e reativa, passa a ocupar definitivamente o lugar de negócio estruturado, com impacto econômico direto, lógica empresarial própria e papel estratégico na valorização dos ativos imobiliários.
Não se trata de tendência passageira, mas de uma resposta objetiva às transformações urbanas, econômicas e tecnológicas que moldam a vida em condomínio no país.
Os próprios dados do mercado ajudam a sustentar essa leitura. Levantamentos do Secovi-SP (Sindicato da Habitação) mostram que o mercado residencial da cidade de São Paulo vem registrando volumes expressivos de lançamentos e vendas nos últimos anos, ultrapassando a marca de 100 mil unidades comercializadas em 2024.
Esse crescimento amplia de forma contínua a base de condomínios em operação e, consequentemente, o volume de recursos, serviços e decisões que passam a ser geridos diariamente. Quanto maior o estoque imobiliário em uso, maior a relevância econômica da gestão condominial.
Esse cenário fica ainda mais evidente quando se observa a evolução dos custos. O Secovi acompanha de forma sistemática a variação das despesas condominiais por meio do Índice de Custos Condominiais na Região Metropolitana de São Paulo.
O indicador revela que os custos operacionais dos condomínios seguem dinâmica própria, muitas vezes pressionados por itens como mão de obra, manutenção, contratos de serviços e adequações normativas.
Em um contexto em que o custo do condomínio se torna uma preocupação central para moradores e investidores, a capacidade de gestão deixa de ser mera execução administrativa e passa a ser fator de eficiência econômica.
É justamente nesse ponto que a gestão condominial se transforma em negócio. O condomínio deixa de ser visto apenas como espaço físico compartilhado e passa a ser compreendido como uma unidade econômica permanente, com fluxo financeiro relevante, riscos operacionais, obrigações legais e potencial de valorização ou depreciação conforme a qualidade da administração.
Nesse cenário, a gestão eficiente impacta diretamente o equilíbrio financeiro, a previsibilidade de despesas, a redução de conflitos e até a atratividade do imóvel no mercado.
Paralelamente, o avanço do ecossistema de inovação no setor imobiliário reforça essa mudança de paradigma. Mapas recentes do mercado indicam que o Brasil já conta com mais de 1.000 startups atuando no segmento imobiliário, com crescimento consistente ano a ano.
Uma parcela expressiva dessas soluções está direcionada à fase de uso e operação dos imóveis, exatamente onde se concentra a gestão condominial. Isso sinaliza uma mudança estrutural no foco do mercado, que deixa de olhar apenas para o ciclo de lançamento e venda e passa a enxergar valor na eficiência da operação contínua.
Outro aspecto relevante é a profissionalização crescente dos agentes envolvidos. Síndicos, gestores e administradores passam a ser cobrados por competências que extrapolam o conhecimento jurídico básico. Leitura de indicadores, controle de custos, gestão de contratos, comunicação estratégica e uso de dados tornam-se habilidades essenciais.
Esse movimento cria um mercado mais sofisticado, com demanda por soluções, formação e modelos de gestão alinhados à lógica empresarial.
Além disso, temas como governança, sustentabilidade e responsabilidade social deixam de ser acessórios e passam a integrar a equação econômica do condomínio. Decisões relacionadas à eficiência energética, manutenção preventiva e transparência impactam diretamente custos, riscos e valor patrimonial.
A gestão condominial, nesse contexto, atua como elo entre desempenho financeiro, qualidade de vida e valorização do ativo imobiliário.
Diante desse conjunto de fatores, afirmar que 2026 é o ano da gestão condominial como negócio não é força de expressão. É o reconhecimento de que o setor atingiu maturidade suficiente para ser analisado sob a ótica econômica, estratégica e de mercado.
A administração de condomínios deixa de ser um serviço invisível e passa a ser elemento central na dinâmica do mercado imobiliário urbano.
Por fim, quem compreende essa transformação se posiciona melhor para um cenário em que eficiência, dados e visão de longo prazo deixam de ser diferenciais e passam a ser exigências.
Em 2026, a gestão condominial não apenas sustenta o funcionamento dos condomínios, mas se consolida como um negócio essencial para o futuro das cidades e do próprio mercado imobiliário brasileiro.