Por Yuri Gricheno, CEO e cofundador da Insider.
Neste ano, o wellness atravessa uma transformação estrutural que altera profundamente sua função cultural e econômica.
O que antes orbitava o campo do autocuidado aspiracional, dos rituais individuais ou da estética do bem-estar passa a se reorganizar como infraestrutura cotidiana, integrada à vida real de forma contínua e funcional.
Relatórios da WGSN (Worth Global Style Network), uma das principais consultorias globais de tendências de consumo e comportamento, indicam que, diante de um ambiente marcado por excesso de estímulos, pressão por desempenho e instabilidade prolongada, o público deixa de buscar soluções complexas ou simbólicas e passa a valorizar mecanismos que operem com previsibilidade, reduzindo esforço mental e fricções invisíveis ao longo do dia.
Esse deslocamento redefine o próprio papel do consumo. Produtos e serviços deixam de ser avaliados apenas pelo impacto imediato ou pela promessa emocional e passam a ser julgados pela capacidade de sustentar conforto, eficiência e estabilidade ao longo do uso.
O excesso de escolha, durante anos tratado como sinônimo de liberdade, começa a ser percebido como fonte de desgaste cognitivo, enquanto a consistência ganha valor estratégico.
O wellness contemporâneo se afasta da ampliação de possibilidades e se aproxima da eliminação de microdecisões desnecessárias que fragmentam o dia a dia.
Nesse cenário, a relação com o consumidor assume papel central na construção do bem-estar. A economia da conveniência governa a interação entre marcas e usuários, e a jornada deixa de ser um elemento acessório para se tornar parte integrante da proposta de valor.
Segundo o relatório Future of Customer Experience, da PwC, 86% das pessoas aceitam pagar até 16% a mais por um atendimento personalizado e eficiente, enquanto dados da Salesforce indicam que 74% trocariam de marca após enfrentarem processos de compra confusos.
O contato com produtos e serviços, portanto, deixa de ser apenas um mecanismo de conversão e passa a atuar como fator direto de redução de estresse, tempo desperdiçado e frustração, elementos centrais na definição contemporânea de wellness.
Essa lógica também altera a própria compreensão de inovação. Em vez de avanços visíveis ou narrativas grandiosas, a inovação passa a operar de forma silenciosa, integrada ao uso real e sustentada por tecnologia que não exige atenção do usuário.
Dados, engenharia e sistemas digitais deixam de ser exibidos como diferenciais e passam a funcionar como camadas invisíveis que garantem ajuste preciso, desempenho estável e conforto contínuo.
O wellness funcional não se destaca, mas se manifesta justamente quando o produto acompanha diferentes contextos da rotina sem exigir adaptações constantes.
É dentro desse movimento que algumas marcas reorganizam sua atuação a partir da redução de fricção, e não da multiplicação de estímulos.
Marcas como a INSIDER se inserem nesse contexto ao estruturar seu desenvolvimento de produto com foco em tecnologia têxtil e desempenho funcional, tratando o conforto como infraestrutura e não como discurso.
A proposta não está em ampliar repertórios de consumo, mas em oferecer recursos capazes de sustentar a vida diária com consistência, reforçando uma leitura cada vez mais presente no mercado: inovação relevante é aquela que desaparece no uso.
No centro dessa transformação está uma mudança cultural mais ampla, que reposiciona o wellness como critério prático de escolha em um mundo instável. O público contemporâneo não busca mais vivências que impressionem pontualmente, mas sistemas confiáveis que funcionem todos os dias.
O bem-estar deixa de ser promessa aspiracional e passa a ser exigência operacional. O futuro do consumo não será definido pelo que se destaca, mas pelo que sustenta, silenciosamente, a vida real.