Pesquisar

Novos negócios no ecossistema de veículos elétricos: é a hora

Compartilhe

Foto: divulgação
Foto: divulgação

Existe um debate em andamento há alguns anos, no Brasil e no Mundo, sobre o carro elétrico: será o novo tipo de carro, conviverá com motores à combustão ou é uma moda passageira?

No Brasil existe um verdadeiro lobby entre associações e montadoras, principalmente com o objetivo de defender a indústria nacional, colocando o híbrido-flex como a solução global para o meio ambiente. No exterior, a geopolítica mudou o rumo da conversa que era pró-elétrico para pró-oil. Muitos dizem que não tem infraestrutura, que a bateria polui, que a autonomia é pouca, etc.

Para trabalharmos essa questão, trago a luz hoje a teoria da inovação disruptiva, de Clayton Christensen, professor de Harvard que cunhou o termo.

Segundo Christensen, uma inovação disruptiva pode ser caracterizada por um novo produto lançado em mercados de nicho ou mercados não atendidos, com soluções mais convenientes e com um menu de opções reduzido, que gradualmente vai conquistando clientes até transformar o mercado e o ecossistema como todo, substituindo os players antigos em uma boa parte da cadeia ou em toda a cadeia.

Uma outra característica é o desprezo inicial pelas empresas consolidadas. Quando esta tecnologia aparece, é muito comum haver declarações de executivos como “Não é viável”, “Nunca venderá um produto deste”, “Não tem cadeia de suprimentos”, “Nosso produto é mais sofisticado”. 

É como se a inovação disruptiva “comesse pelas bordas”, desacreditada e sem chamar a atenção.

Esta transformação pode levar alguns anos ou décadas para se consolidar. A tecnologia no início costuma ser “boa o suficiente”, mas melhora ao longo do tempo tornando-se referência também para as empresas consolidadas. O ecossistema e a cadeia vão se formando ao longo dos anos, conforme os clientes compram mais.

Adicionando, costuma ter uma empresa representante para esta inovação, mas de fato é sempre um ecossistema novo com múltiplas empresas concorrendo, o que acelera o desenvolvimento tecnológico e de mercado.

Alguns exemplos são o automóvel à combustão, a geladeira, a lâmpada, os smartphones, a digitalização da foto, o PC, os aplicativos de viagem, os aplicativos de entregas entre outros.  Se fizer uma verificação rápida, verá que se encaixam na explicação acima.

Em relação ao carro elétrico, vamos passar os tópicos em revista. Podemos apontar o Tesla Model S e a BYD em geral como representantes desta virada. Os primeiros veículos, lançados entre 2010 e 2013, traziam tecnologia boa (mas só), que foi evoluindo ao longo do tempo, junto com os demais competidores na cadeia.

Isso foi um farol que iluminou o caminho para novo o ecossistema, principalmente nos EUA e na China, países que abraçaram esta inovação.

Posicionados inicialmente com preços elevados, eram produtos de nicho, que não incomodavam as montadoras. Muito pelo contrário. Aqui no Brasil dois executivos fizeram declarações há poucos anos condenando o carro elétrico aqui no Brasil e exaltando a tecnologia nacional.

Para ilustrar o tempo necessário da formação do ecossistema, trazemos uma comparação sobre a evolução de postos de gasolina versus a evolução de pontos de recarga nos EUA.  Em 1914, ano do Ford T – representante da inovação disruptiva, havia 35 postos, em 1920, 15 mil, em 1930 mais de 100 mil, em 1950, milhões. Comparando com pontos de recarga, em 2013 havia 6 mil, em 2020 32 mil, em 2025 70 mil, a previsão para 2030 são 35 milhões. Sim, infraestrutura para chegar no automóvel à combustão demorou, mas chegou. E está acontecendo com o elétrico também, a passos lentos e crescentes, inclusive no Brasil. 

As empresas estabelecidas ignoraram por muito tempo, mas hoje estão todas embarcadas, embora existam algumas montadoras com lobby geopolítico tentando barrar. Estas as que têm maior probabilidade de serem substituídas. 

O carro elétrico está muito alinhado com a teoria de inovação disruptiva. Isso significa que um novo ecossistema está emergindo e que irá gradualmente substituir o ecossistema automotivo anterior. Com preocupação especial em relação ao nosso ecossistema brasileiro, mas que também traz ótimas oportunidades de negócio.

Quem está pensando em novos negócios agora, vale a pena analisar.

Compartilhe

CEO da Pulso Startups

Leia também