Ao revisitar os anos 90 e o início dos anos 2000, especialmente a partir da leitura de Zero to One, é impossível não sentir uma sensação de déjà-vu. Naquele período, bastava adicionar “.com” ao nome de uma empresa para que ela automaticamente ganhasse relevância, investimentos e, em muitos casos, valuations que não se sustentavam na prática.
A promessa da internet era real e transformadora. O erro não estava na tecnologia, mas na forma como ela foi utilizada. Muitas empresas apostaram mais na narrativa do que na execução, mais no discurso do que no modelo de negócio. Quando a realidade começou a cobrar resultados, grande parte dessas empresas simplesmente não sobreviveu.
Avançando para o cenário atual, o paralelo é quase inevitável. Substitua o “.com” por “AI” e o movimento se repete. Produtos, startups e soluções agora se apresentam como “AI-powered”, “AI-first” ou “baseadas em inteligência artificial”. A tecnologia, mais uma vez, é real, poderosa e cheia de potencial. Mas a pergunta central continua a mesma: onde está o valor gerado de fato?
O risco da bolha não está na inteligência artificial em si, mas na expectativa de que ela resolva problemas estruturais sozinha. Assim como na bolha do “.com”, muitas empresas estão tentando usar a tecnologia como atalho, antes de entender seus próprios dados, processos e limitações operacionais. IA não cria maturidade. Ela amplifica o nível de maturidade que a empresa já possui.
Na prática, o que realmente cria valor nos negócios nunca mudou. Empresas que atravessaram a bolha do “.com” e se consolidaram tinham algo em comum: problemas claros, modelos de negócio bem definidos, processos estruturados e capacidade de execução consistente. A tecnologia foi um meio, não o fim.
O mesmo vale para o momento atual. Inteligência artificial gera valor quando aplicada sobre dados confiáveis, processos bem definidos e decisões conscientes. Fora disso, ela vira apenas uma camada sofisticada de automação sobre problemas mal resolvidos, acelerando erros em vez de corrigi-los.
É exatamente essa leitura que guia a atuação da STECH. Nossa missão não é vender tecnologia por tecnologia, nem surfar o hype do momento. É ajudar empresas a estruturarem dados, processos e decisões antes de qualquer adoção massiva de soluções avançadas. Tecnologia precisa gerar impacto real, eficiência operacional e clareza estratégica.
Essa visão se conecta diretamente com o nosso objetivo para 2026: contribuir ativamente para o amadurecimento tecnológico das empresas do ABC Paulista, região historicamente marcada pela indústria, pela execução e pela necessidade constante de adaptação. Tornar-se a maior empresa de tecnologia e dados do ABC não é uma meta de volume, mas de responsabilidade: liderar esse movimento com consciência, método e visão de longo prazo.
Se a bolha do “.com” deixou um aprendizado, foi claro: tecnologia sem fundamento não sustenta valor. A bolha da IA tende a seguir o mesmo caminho para quem confunde inovação com narrativa. Em um cenário cada vez mais exigente, o diferencial continuará sendo o mesmo, clareza do problema, maturidade de processos e capacidade de transformar tecnologia em decisão e resultado.