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Metas não bastam, é preciso método para crescer

Virgilio Marques FM2S
Foto: Isaque Martins.

O fim do ano costuma ser marcado por listas de resoluções, planners novos e promessas grandiosas. Mas, para o especialista em carreira e sócio-fundador da FM2S Educação e Consultoria, Virgilio Marques dos Santos, essa tradição está mais perto do autoengano do que de um plano real de mudança.

“Em fevereiro, 80% dessas metas já viraram poeira. O problema é que não é planejamento, é uma carta para o Papai Noel”.

Com formação técnica e trajetória à frente da FM2S, ele defende que 2026 exigirá disciplina, escolhas estratégicas e acompanhamento constante, algo mais próximo do rigor de gestão de uma empresa do que de um processo pessoal espontâneo.

“Esperança não é estratégia. Desejo não é método. Planejamento amador custa promoções e oportunidades. E esse preço costuma aparecer tarde demais”.

Para ele, o primeiro erro que mina o crescimento profissional é a quantidade excessiva de metas. Em vez de longas listas, o especialista defende foco radical.

“A pergunta é simples: qual é a única habilidade que torna todo o resto mais fácil? Quem quer fazer tudo, não faz nada. Na prática, isso significa identificar um ponto-chave, como domínio de Inglês, IA ou experiência em liderança, e concentrar energia nele até gerar um resultado visível”.

Outra mudança de mentalidade, segundo Virgilio, envolve trocar metas soltas por sistemas, rotinas previsíveis, com dia e hora para acontecer.

“Motivação acaba. Sistema cria hábito. É como na empresa: não adianta prever o resultado se o processo não está escrito e bloqueado na agenda.” Ele cita um exemplo prático: “não é ‘quero aprender Inglês’, de forma genérica; adapte para ‘farei aulas às segundas, quartas e sextas, às 19 horas'”.

O especialista defende também que o calendário profissional seja reconfigurado. Em vez de esperar dezembro de 2026 para avaliar resultados, ele recomenda dividir o ano em quatro ciclos de 12 semanas, com ajustes trimestrais.

“Esperar o ano acabar para descobrir se deu certo é suicídio profissional. É preciso testar, errar e corrigir rápido. Além disso, as metas de carreira podem mudar ao longo de um curto espaço de tempo; é preciso estar atento para recalcular a rota, se necessário”.

Para este ano, ele chama atenção ao que considera o novo critério de empregabilidade: habilidades híbridas.

“É o engenheiro que negocia. O profissional de RH que lê dados. O gestor que entende IA, mas lidera com empatia. Quem não fechar o gap entre o humano e o tecnológico começa o próximo ano atrasado”, finaliza.

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