Segundo especialistas, tendências como a adoção acelerada de automação e IA generativa no backoffice até compliance, moldarão o planejamento e a execução estratégica ao longo de 2026.
Para entender essas tendências, quatro CFOs apontam o que deve ser priorizado para um ano de sucesso nos negócios. Confira:
1. Adoção acelerada de automação e IA generativa no backoffice
Para Daniel Paschino, CFO da Qive, 2026 será um ano de maturidade do modelo financeiro híbrido.
“O avanço da IA só gera valor real quando está apoiado em dados confiáveis e estruturados. É isso que transforma automação em inteligência. No Contas a Pagar, isso significa antecipar anomalias, interpretar documentos diretamente da fonte oficial e orientar decisões com base em padrões observados em milhares de transações”.
Na visão do especialista, o papel dos times financeiros evolui da mera execução manual para o foco em análise e tomada de decisão.
“Estamos vendo rotinas inteiras, como validação documental, conciliações e análises operacionais, migrando para um fluxo mais preditivo. Esse é o movimento que vai definir a competitividade das empresas nos próximos anos”.
2. Fortalecimento da governança e da resiliência financeira em um ano de volatilidade
Em um cenário marcado pela transição tributária, aumento da pressão por eficiência e com ciclo eleitoral, 2026 exigirá disciplina financeira e governança integrada como pilares de resiliência.
A combinação entre rigor na gestão de riscos, integração entre áreas e capacidade de resposta rápida a mudanças deve ganhar ainda mais relevância no próximo ano.
Para Marcelo Silvestre, CFO da Funcional, pioneira e líder no desenvolvimento de tecnologias para o ecossistema de saúde no Brasil, o cenário de 2026 continua sendo marcado por um ambiente econômico desafiador.
“O mercado espera queda nas taxas de juros, mas esse ajuste será gradual e tem a tendência de ser concentrado mais no segundo semestre. O custo de capital permanece como um desafio, além do acesso eficiente a crédito. A volatilidade macroeconômica permanecerá, exigindo a continuidade da agenda de eficiência, em um ano de eleições, que sempre deixa incerto o ambiente econômico e, de certa forma, a capacidade de crescimento. Nesse cenário, a governança financeira mantém seu papel estratégico, apoiando decisões, alocação eficiente de capital e previsibilidade de caixa”.
3. Finanças embutidas e o futuro dos pagamentos sem fricção
Com presença crescente e maior relevância no cenário financeiro brasileiro, o embedded finance se consolida como uma experiência cada vez mais fluida, invisível e natural na jornada do usuário.
A lógica deixa de ser a criação de novos produtos financeiros e passa a ser a integração inteligente de pagamentos, crédito e outros serviços diretamente nas plataformas onde o consumidor já está.
Para Clayton Ricardo, CFO da Idea Maker, fintech que desenvolve soluções para e-commerce de produtos com venda incentivada, meios de pagamento e gestão de dados, o diferencial competitivo do embedded finance está justamente na sua capacidade de operar nos bastidores, sem fricção.
“Não se trata de oferecer mais produtos financeiros, mas de tornar o acesso a esses serviços tão natural que o usuário sequer percebe que está utilizando uma solução financeira. O desafio agora é a aplicação inteligente das finanças embutidas, equilibrando segurança e experiência do usuário”.
4. Conformidade regulatória e compliance
Com o avanço das exigências regulatórias e a crescente pressão por transparência, as empresas precisam ir além do cumprimento básico das normas e adotar uma postura cada vez mais estratégica em relação ao compliance.
Isso envolve não apenas manter processos alinhados às leis e regulações vigentes, mas também investir em treinamentos contínuos, governança de dados e sistemas robustos que garantam segurança, rastreabilidade e confiabilidade das informações financeiras.
É justamente nesse ponto que o uso inteligente das informações se torna essencial para sustentar decisões alinhadas às boas práticas de governança.
“À medida que as empresas se tornam mais digitais, a quantidade de dados financeiros gerados também cresce e a necessidade de cumprir normas também. Uma análise preditiva, por exemplo, fornece insights valiosos sobre tendências de mercado e comportamento do consumidor, permitindo aos gestores tomar decisões mais informadas, fortalecer os processos de compliance e reduzir incertezas financeiras”, afirma Rodrigo Kratzer, CFO na Transfeera.