Por Eric Jun, CEO da Finza.
A diferença entre uma boa ideia e um negócio escalável quase sempre está menos na criatividade e mais na combinação entre velocidade e disciplina financeira.
Ao longo da minha experiência no setor, ficou claro que empresas que conseguem acessar crédito, investimentos e serviços financeiros bem estruturados avançam mais rápido, testam mais hipóteses e ajustam seus modelos com maior eficiência.
Capital bem direcionado permite investir em produto, tecnologia, contratação de times-chave, aquisição de clientes e expansão comercial no momento certo. Mas o ponto central não é apenas “ter dinheiro”. É ter o dinheiro certo, no formato certo e na hora certa.
Serviços financeiros especializados funcionam como aceleradores silenciosos: organizam governança, apoiam precificação, estruturam projeções, ajudam na gestão de risco e conectam estratégia à execução.
O problema é que o sistema financeiro tradicional foi desenhado para outro tipo de empresa. Os bancos operam, em sua maioria, com modelos pensados para negócios maduros, com histórico longo, garantias robustas e previsibilidade de resultados.
Startups e empresas inovadoras seguem a lógica oposta: crescimento rápido, ativos intangíveis, métricas em construção e risco que precisa ser interpretado, não apenas evitado.
Essa assimetria gera fricção. Processos lentos e critérios engessados não conseguem capturar o valor real da inovação. Métricas fundamentais para quem empreende, como CAC, LTV, recorrência, sazonalidade e runway, muitas vezes ficam fora da análise tradicional.
O resultado é crédito caro, difícil e pouco aderente à realidade operacional. É nesse contexto que surge o chamado “vale da morte”: o momento em que a empresa precisa investir para crescer, mas ainda não tem escala suficiente para sustentar seus próprios custos.
Nos últimos anos, fintechs, plataformas de crédito alternativo e fundos de venture capital passaram a ocupar esse espaço com mais eficiência. Esses agentes ampliam o acesso ao capital ao combinar tecnologia, dados e modelos de risco mais sofisticados.
Na prática, reduzem a burocracia, aumentam a precisão na análise e oferecem produtos financeiros mais alinhados ao ciclo real dos negócios.
Instrumentos como antecipação de recebíveis, CCBs e estruturas de crédito bem desenhadas são exemplos de como é possível conectar capital à operação concreta da empresa. A antecipação transforma vendas futuras em caixa presente.
O crédito estruturado, quando calibrado corretamente, aumenta a previsibilidade e oferece condições compatíveis com o fluxo financeiro e o estágio de crescimento. O foco deixa de ser apenas liquidez e passa a ser liquidez com inteligência.
O acesso inteligente à capital é um dos fatores mais relevantes para reduzir a mortalidade de startups. Quando valor, prazo, custo e amortização estão alinhados à realidade do negócio, o capital evita dois extremos igualmente perigosos: a subcapitalização, que mata empresas por falta de fôlego, e o superendividamento, que compromete a operação com dívidas mal dimensionadas.
Existe uma diferença clara entre o capital que apenas financia e o capital que realmente impulsiona inovação. O primeiro olha para taxa, garantia e curto prazo.
O segundo entende propósito, modelo de negócio e capacidade de execução. Ele vem acompanhado de métricas, orientação estratégica e, muitas vezes, conexões que destravam mercado, parceiros, talentos, clientes e repertório de gestão.
Nesse processo, conselheiros e líderes financeiros cumprem um papel estratégico: transformar ambição em execução sustentável.
Cabe a eles criar estruturas que permitam experimentar sem perder controle, inovar sem comprometer a governança e crescer sem destruir caixa. Inovação não pode ser um discurso lateral; precisa estar integrada à estratégia, ao orçamento e aos mecanismos de decisão.
No fim, inovação não se sustenta apenas com boas ideias. Ela depende de uma infraestrutura financeira capaz de interpretar risco, alocar capital com inteligência e acompanhar o ritmo real das empresas.
Quando capital, estratégia e execução caminham juntos, boas ideias deixam de depender da sorte e passam a ter condições concretas de se transformar em negócios sustentáveis, escaláveis e relevantes para a economia brasileira.