Adentramos 2026 com uma clareza: a intuição é valiosa para o empreendedorismo, mas não é suficiente para sustentar a competitividade de uma operação escalável. O cenário atual não permite que decisões críticas sejam baseadas em percepções subjetivas e, hoje, a maturidade no uso de dados é um diferencial competitivo em qualquer segmento.
Apesar do uso do termo “data-driven” em diversas reuniões de trabalho (só perde para inteligência artificial atualmente), a realidade do mercado brasileiro revela um abismo entre o discurso e a prática. Um estudo conduzido pela Beanalytic aponta que apenas 22% das empresas no país utilizam dados de forma verdadeiramente estratégica. Isso significa que quase 80% das organizações ainda operam em níveis iniciais de maturidade, tratando informações como registros e não ativos de decisão.
Esse cenário de imaturidade gera um custo invisível altíssimo. Empresas que não contam com uma cultura de dados sólida sofrem com a lentidão na resposta às mudanças de mercado e com uma ineficiência operacional que consome margens de lucro. Em contrapartida, as organizações que já estruturaram sua governança conseguem ajustar operações em tempo real, antecipar movimentos da concorrência e, principalmente, alinhar seus investimentos com indicadores reais de desempenho.
A implementação dessa cultura, entretanto, não se resume apenas à compra e assinatura de ferramentas. O desafio que vejo é, sobretudo, na parte de governança e integração, pois além de coletar dados, é preciso garantir que eles sejam confiáveis, estejam integrados entre os diferentes sistemas da empresa e sejam democratizados para que as áreas tenham autonomia. Ou seja, que participem da operação de forma efetiva e não como uma “muleta” nem sempre correlacionada à realidade da operação.
Mais do que nunca, a vantagem estrutural pertence a quem consegue transformar o volume bruto de informações em clareza estratégica. E isso passa por alguns pilares, como a organização da infraestrutura de dados, a capacitação das lideranças para interpretá-los e a coragem para abandonar processos baseados em “achismos”, mesmo que isso tenha gerado bons resultados em algum momento. Hoje não faltam ferramentas – e aqui sim, precisamos citar a IA – onde a consolidação de dados pode ser facilitada, bem como construção de análise e extração de conclusões valiosas para o negócio.
Para resumir, o fim do “achismo” é uma evolução na forma de fazer negócios, e as organizações que ignorarem essa transição continuarão presas a modelos lentos, enquanto aquelas orientadas por dados irão avançar com um precisão que a intuição jamais poderia alcançar.