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Benefícios corporativos contribuem para atender NR-1 e reduzir riscos

Foto: divulgação.
Foto: divulgação.

Em 2025, o número de trabalhadores afastados pelo INSS por ansiedade e depressão cresceu 15% em relação ao ano anterior, totalizando 546 mil brasileiros e representando o segundo maior motivo de afastamento do trabalho no Brasil, atrás apenas das doenças da coluna.

Com a entrada em vigor da nova redação da Norma Regulamentadora Nº 1 (NR-1) em maio, que define diretrizes para a saúde no ambiente de trabalho e passou a tratar a saúde mental com a mesma relevância de outros riscos ocupacionais, a urgência em torno do tema permanece crescente. 

Para Juliana Camargo, diretora de Gente & Cultura da Funcional, o uso estratégico de benefícios corporativos pode fortalecer a gestão de riscos psicossociais e apoiar a conformidade com a NR-1.

“A norma exige que as empresas identifiquem, avaliem e controlem riscos psicossociais dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos, o que amplia a responsabilidade das organizações sobre o cuidado com o bem-estar emocional dos colaboradores. Nesse contexto, a integração de benefícios corporativos às estratégias de saúde e segurança do trabalho surge como caminho prático e eficaz para atender às exigências regulatórias e, ao mesmo tempo, reduzir impactos como absenteísmo, afastamentos e queda de produtividade”. 

A seguir, Juliana lista cinco motivos pelos quais os benefícios corporativos contribuem para atender à NR-1 e reduzir riscos psicossociais:

1. Continuidade no tratamento

Segundo Juliana, um dos principais desafios enfrentados por colaboradores diagnosticados com ansiedade, depressão ou outros transtornos mentais é a continuidade do tratamento medicamentoso.

“Barreiras financeiras ainda comprometem a adesão, aumentando o risco de agravamento do quadro clínico. O subsídio oferecido por meio do Benefício Farmácia, por exemplo, facilita o acesso aos medicamentos, reduz essas barreiras e contribui para a estabilidade do tratamento, o que impacta diretamente a redução de crises e afastamentos”.

2. Programas que se complementam

Outro ponto destacado é a complementaridade entre os benefícios.

“Organizações que já oferecem psicoterapia, programas de assistência ao empregado ou telemedicina podem integrar o Benefício Farmácia como suporte farmacológico, promovendo um cuidado mais completo. Essa abordagem integrada está alinhada à NR-1, que incentiva ações preventivas e corretivas baseadas em uma visão ampla da saúde do trabalhador”.

3. Uso de dados para monitoramento e prevenção

Relatórios gerados pelos programas corporativos podem apoiar a gestão e a prevenção de riscos psicossociais, reforça a especialista.

“Os dados convidam as empresas a refletirem sobre como a saúde mental está integrada à vida do colaborador, permitindo às áreas de RH e saúde ocupacional acompanhar padrões de uso de medicamentos relacionados à saúde mental, identificar tendências e embasar ajustes no PGR. O cuidado vai além do aspecto emocional e passa por acesso, organização do tratamento e acompanhamento ao longo do tempo”.

4. Redução de afastamentos e impactos no negócio

A adesão adequada ao tratamento contribui para reduzir crises, absenteísmo e afastamentos relacionados a transtornos mentais, que hoje figuram entre os principais riscos psicossociais mapeados nas organizações.

Para a executiva, investir em programas estruturados é também uma forma de proteger a operação e garantir maior previsibilidade na gestão de pessoas.

5. Comunicação e fortalecimento da cultura de cuidado

A comunicação clara sobre os benefícios disponíveis exerce papel fundamental na construção da cultura organizacional mais saudável, sinaliza Juliana, e tornar visível o suporte oferecido pela empresa fortalece a percepção de cuidado, reduz o estigma em torno da saúde mental e contribui para ambientes psicologicamente mais seguros, conforme preconiza a NR-1.

“Criar uma cultura de cuidado estruturado é essencial para promover bem-estar, qualidade de vida e relações de trabalho mais saudáveis. Benefícios corporativos, quando bem integrados à gestão de riscos, deixam de ser apenas diferencial e passam a ser parte ativa da estratégia de sustentabilidade das organizações”, finaliza.

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