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Por que o futuro da tecnologia está no uso e não na propriedade?

Foto: divulgação.
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Por Fernando Almeida, head de Asset Management, Remarketing e Services da CHG-MERIDIAN.

O avanço acelerado da tecnologia redefiniu não apenas a operação das empresas, mas a própria lógica de seus investimentos e de suas estratégias financeiras.

Em um contexto global marcado por ciclos de inovação cada vez mais curtos, obsolescência acelerada de equipamentos e pressão permanente por eficiência de capital, o modelo tradicional de aquisição de ativos, sustentado na compra e na propriedade, perde relevância.

Nesse processo de reconfiguração, soluções fundamentadas no uso ganham protagonismo e reposicionam o leasing tecnológico como um eixo central da transformação digital.

Os dados ajudam a dimensionar essa inflexão estrutural. Informações do relatório Global Finance Lease Market Size, Share & Trends 2035 indicam que o mercado mundial de leasing foi estimado em aproximadamente US$ 1,6 trilhão em 2025, com projeção de atingir US$ 1,7 trilhão já em 2026.

Tal expansão reflete a consolidação do modelo em segmentos intensivos em capital, como tecnologia, indústria, logística e infraestrutura, em um momento no qual as organizações buscam maior flexibilidade financeira e maior racionalidade na alocação de recursos.

Esse processo se desenvolve em paralelo a um ciclo consistente de ampliação dos investimentos globais em tecnologia, impulsionado pela digitalização dos negócios, pela consolidação da computação em nuvem e pelo avanço da inteligência artificial.

O crescimento de dois dígitos nos desembolsos com TI não representa apenas um aumento no volume de investimentos, mas também uma pressão significativa sobre o fluxo de caixa, o retorno sobre o capital investido e a sustentabilidade dos balanços corporativos.

Diante desse quadro, torna-se progressivamente mais estratégico substituir a lógica da propriedade pela do acesso contínuo às soluções mais atuais.

O leasing viabiliza essa transição ao converter valores iniciais elevados em contratos previsíveis, escaláveis e coerentes com a evolução do negócio.

Ao tratar a tecnologia como serviço, as companhias preservam capital, reduzem os riscos inerentes à obsolescência técnica e ampliam sua capacidade de adaptação a novas exigências regulatórias, operacionais e mercadológicas.

A digitalização das plataformas de gestão de ativos potencializa esse movimento ao gerar ganhos expressivos em transparência, automação, governança e controle do ciclo de vida dos equipamentos.

Na prática, isso possibilita a renovação periódica de parques de notebooks, servidores e dispositivos sem a imobilização excessiva de recursos, o ajuste de volumes conforme a expansão ou retração das operações e o acompanhamento, em tempo real, de indicadores relacionados a uso, contratos, prazos de substituição e conformidade, reunidos em um único ambiente digital.

A velocidade assume papel decisivo nessa equação. Áreas como saúde, indústria, data centers e tecnologia da informação dependem de atualização contínua para preservar competitividade, produtividade e segurança.

Modelos orientados pelo uso permitem incorporar inovação e escalar operações de forma fluida, acompanhando o ritmo acelerado da evolução tecnológica sem o ônus de um estoque de ativos rapidamente superados.

Nesse novo cenário econômico e digital, o futuro da tecnologia mostra-se cada vez menos associado à propriedade e cada vez mais vinculado à capacidade de uso inteligente, contínuo e eficiente.

O leasing deixa de ser apenas uma alternativa financeira e afirma-se como instrumento estratégico de gestão, essencial para sustentar a inovação, fortalecer a competitividade e promover o crescimento sustentável no longo prazo.

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