Pesquisar

Por que o mercado de imóveis residenciais voltou ao radar dos investidores

Foto: Guilherme Cunha.
Foto: Guilherme Cunha.

Por Rafael Steinbruch, cofundador da Yuca.

Com a taxa de juros ainda elevada e o crédito imobiliário mais restrito, cada vez mais brasileiros têm recorrido ao aluguel como alternativa à compra da casa própria.

Segundo dados do IBGE, 23% da população já vive em imóveis alugados. Esse movimento tem impacto direto no mercado imobiliário residencial e abre uma janela estratégica para investidores atentos à geração de renda recorrente e à proteção patrimonial.

O aumento da demanda por locação impulsiona a busca por apartamentos prontos para morar, com boa liquidez e ocupação mais rápida.

Para quem investe, esse cenário reforça o potencial do residencial como uma classe de ativos resiliente, capaz de atravessar ciclos econômicos com menor volatilidade quando comparada a outros segmentos.

Ao contrário do que muitos ainda imaginam, investir em imóveis residenciais hoje vai muito além da compra direta de casas ou apartamentos.

O mercado evoluiu e passou a oferecer diferentes modalidades, cada uma com características próprias de risco, retorno e nível de envolvimento do investidor. Isso permite uma alocação mais estratégica, alinhada aos objetivos financeiros e ao momento de vida de cada investidor.

Uma dessas alternativas é a Sociedade em Conta de Participação (SCP). Nesse modelo, o investidor se associa a incorporadoras ou construtoras sem exposição direta à gestão do empreendimento.

A participação nos resultados é proporcional ao aporte realizado e a rentabilidade está vinculada à performance da venda do imóvel, ou seja, ao sucesso do projeto.

Trata-se de uma estrutura que oferece simplicidade jurídica, flexibilidade contratual, sigilo e exposição limitada aos riscos operacionais.

Outra possibilidade são as cotas de terreno. Nessa modalidade, o investidor adquire uma parcela do terreno ou do projeto imobiliário em conjunto com a incorporadora ou outros investidores.

Diferentemente da SCP, há a opção de receber um imóvel na entrega do empreendimento, além da alternativa de participar do lucro do projeto.

Embora exija aportes mais elevados, permite acesso a grandes projetos com valores de metro quadrado mais competitivos, funcionando como uma porta de entrada para empreendimentos de maior escala.

A compra direta de unidades prontas ou em construção segue sendo uma das formas mais tradicionais de investimento imobiliário.

Nesse caso, o investidor passa a receber renda de aluguel ou ganhos de valorização no médio e longo prazo. É uma modalidade que demanda maior capital inicial e envolvimento na gestão do imóvel, seja de forma direta ou por meio de gestoras especializadas.

O risco tende a ser baixo a moderado, especialmente quando o imóvel já está pronto e pode ser alugado ou revendido imediatamente, além de oferecer controle direto e renda recorrente.

Os fundos de investimento imobiliário (FIIs) também fazem parte desse ecossistema. Eles permitem investir em ativos residenciais por meio de cotas negociadas em bolsa, com gestão profissional e maior liquidez.

Por outro lado, o valor das cotas está sujeito à variação de mercado, o que pode gerar volatilidade no patrimônio ao longo do tempo.

Diante de tantas alternativas, investir em imóveis residenciais deixou de ser uma decisão simples e passou a exigir análise estratégica. Objetivos financeiros, perfil de risco e horizonte de investimento precisam estar no centro da escolha.

O setor ainda tem muito espaço para crescimento e profissionalização, mas esse potencial só se traduz em bons resultados quando o investidor conta com informação de qualidade e apoio especializado.

Em um mercado cada vez mais sofisticado, escolher bem a forma de investir é tão importante quanto decidir investir.

Compartilhe

Leia também