Algumas transformações não começam com uma decisão. Começam com um deslocamento.
Nos últimos meses, me vi saindo da B.done, um projeto que nasceu com um propósito muito claro, para levá-la a um novo contexto, dentro do LETRES Group. Não foi apenas uma mudança de estrutura. Foi uma mudança de lugar. E, com isso, uma mudança de olhar.
Foi nesse movimento que algo ficou evidente: não era só o negócio que se transformava. Era a forma de enxergar o mercado. Quando você muda de posição, muda também o tipo de problema que consegue ver.
De um lado, o setor de marketing e comunicação no Brasil parece cheio de possibilidades. São mais de 180 mil empresas atuando hoje. Um número que sugere diversidade, especialização e crescimento. Mas, na prática, o que esse volume revela é outra coisa: escolher nunca foi tão difícil.
Foi atravessando esse espaço entre execução e estratégia que entendi que o problema não era falta de oferta. Era falta de estrutura. Falta de clareza. Falta de um sistema que organizasse esse mercado de forma mais inteligente.
A B.done nasceu ajudando marcas a encontrarem parceiros. Mas foi dentro do LESTRES Group, olhando o mercado de um outro lugar, que ficou claro que não bastava intermediar. Era preciso reorganizar. E foi assim que surgiu a Cotei.
Não como um novo projeto isolado, mas como uma evolução de leitura. Um reflexo direto de um mercado que cresceu mais rápido do que sua capacidade de se estruturar.
Esse tipo de transformação não acontece só nos negócios. Acontece em quem constrói.
Porque existe um ponto em que continuar operando do mesmo jeito deixa de ser eficiência e passa a ser limitação. Existe um ponto em que insistir no modelo que funcionou ontem impede de enxergar o que precisa ser feito agora. E esse ponto chega para todo mundo.
O mercado mudou. A forma de gerar valor mudou. A forma de decidir mudou. E, ainda assim, muita gente continua tentando operar com o mesmo olhar de antes.
Mas não dá mais. Transformar exige coragem.
Coragem de sair do lugar onde você já sabe como funciona.
Coragem de abrir mão do controle para ganhar visão.
Coragem de enxergar o que antes você não queria ver.
Porque, no fim, a pergunta não é mais se o mercado vai mudar. A pergunta é: quanto está custando, de verdade, permanecer exatamente onde você está?