Economia SP - Automação cresce nas empresas, mas pessoas seguem no centro das decisões

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Automação cresce nas empresas, mas pessoas seguem no centro das decisões

Foto: divulgação.
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Por Joelma Aquino, CFO da Alfa Group.

O avanço da automação tem mudado a forma como as empresas organizam suas operações e planejam o futuro. Apesar do receio de que a tecnologia tende a substituir profissionais, o movimento observado em muitas organizações aponta para outro caminho, o de usar a automação para potencializar o trabalho humano.

A lógica é simples. Ao automatizar tarefas repetitivas e operacionais, as empresas conseguem liberar as equipes para atividades mais estratégicas, como análise de dados, planejamento e tomada de decisões. Com isso, o capital humano passa a ser direcionado para funções que geram mais valor para o negócio.

Esse movimento também tem impacto direto na eficiência. A automação permite ganhar escala, aumentar a produtividade e expandir operações sem que a folha de pagamento cresça na mesma proporção.

Em outras palavras, as organizações conseguem crescer de forma sustentável e com maior controle de custos.

Na área financeira, a transformação já é bastante visível. Ferramentas permitem acompanhar projeções de fluxo de caixa, análises de risco e gestão orçamentária praticamente em tempo real. Isso dá aos diretores financeiros uma visão mais estratégica da empresa e confere agilidade na tomada de decisões.

Além disso, a tecnologia contribui para reduzir falhas em processos sensíveis, como auditorias e conformidade fiscal.

Em contratos públicos, por exemplo, a precisão das informações e o controle sobre dados financeiros são fundamentais para evitar problemas legais, atrasos e penalidades.

Ainda assim, a decisão entre investir em tecnologia ou ampliar equipes não é automática. Muitas empresas avaliam três fatores principais antes de definir o caminho: a natureza das atividades, a capacidade de escala e o custo de oportunidade.

Processos volumosos e padronizados tendem a ser direcionados para sistemas automatizados. Já funções que exigem relacionamento, negociação ou sensibilidade política continuam dependendo diretamente de pessoas. Outro ponto analisado é se a tecnologia pode aumentar a produtividade da equipe atual antes de uma expansão da folha de pagamento.

Nesse cenário, o papel do diretor financeiro tem se transformado e vai muito além da gestão tradicional das finanças. Executivos da área precisam lidar com uma visão mais ampla de riscos, que inclui segurança de dados, conformidade com legislações como a LGPD e controle rigoroso de prazos e recebíveis.

Em projetos ligados ao setor público, por exemplo, a rastreabilidade e a transparência dos recursos são exigências cada vez mais presentes. Isso faz com que a tecnologia se torne uma aliada importante para garantir auditoria contínua e controle financeiro mais preciso.

Ao mesmo tempo, cresce o desafio de equilibrar investimento em automação com o desenvolvimento de talentos. Empresas que apostam em tecnologia precisam investir em qualificação profissional e estimular uma cultura voltada para inovação e resultados.

O perfil dos profissionais buscados pelas organizações também começa a mudar. Em vez de funções puramente operacionais, cresce a demanda por candidatos com capacidade analítica, visão de negócio e fluência digital, ou seja, pessoas capazes de interpretar dados, supervisionar processos automatizados e extrair insights estratégicos.

No fim das contas, a automação não elimina o papel das pessoas nas empresas. Pelo contrário, abre espaço para que profissionais deixem tarefas repetitivas para trás e se concentrem em atividades que realmente impulsionam crescimento, inovação e competitividade.

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