Economia SP - As novas regras do ESG: como fica a indústria brasileira?

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As novas regras do ESG: como fica a indústria brasileira?

Foto: divulgação.
Foto: divulgação.

Por Alexandre Gallana, CEO da Yattó.

Acabou aquele tempo em que a responsabilidade ambiental de uma empresa se resolvia com um certificado de logística reversa guardado na gaveta ou uma nota fiscal de reciclagem apresentada apenas para “passar” na auditoria.

Com a chegada do Decreto Federal 12.668/2025, o cuidado com o que acontece depois que o produto é consumido deixou de ser uma tarefa burocrática. Agora, esse é um tema estratégico que precisa estar na mesa da diretoria.

Estamos vivendo uma mudança real de mentalidade. As novas regras não apenas aumentam as metas, mas deixam claro que a empresa é responsável pelo que acontece com o resíduo até o final.

Para quem está no comando, o recado é direto: a segurança jurídica agora depende de saber exatamente onde o material foi parar, e não apenas de ter o papel assinado.

Na prática, o fabricante responde pelo destino do resíduo mesmo que tenha contratado terceiros para o serviço. Quem ainda vê a gestão de resíduos como um gasto isolado está correndo um risco que vai muito além de uma simples multa.

O risco de operar “no escuro”

A lógica de apenas pagar para “compensar” o que se coloca no mercado ficou para trás. O novo decreto exige provas de que a reciclagem realmente aconteceu. Se a empresa não consegue mostrar, com dados claros, de onde veio e para onde foi o seu resíduo, ela está operando no escuro.

Hoje, o controle físico da operação é a única garantia de que tudo está em ordem. Para o financeiro, a conta mudou: não se trata mais de buscar a solução mais barata para bater a meta mínima, mas de entender o tamanho do prejuízo, para a imagem e para o bolso, se houver uma falha na fiscalização.

A inteligência agora está em usar ferramentas como a Lei de Incentivo à Reciclagem (LIR) para transformar o que seria um imposto em investimento para a própria operação.

O risco jurídico é real, mas o impacto na reputação pode derrubar uma marca em poucas horas. A sociedade está mais atenta e não aceita mais a distância entre o que o marketing diz sobre sustentabilidade e o que a empresa faz na prática.

As companhias que tratarem a economia circular apenas como uma “tarefa do setor de ESG” serão as primeiras a sentir a pressão de investidores e de consumidores.

A pergunta que os executivos precisam se fazer hoje não é “quanto custa estar em dia com a lei?”, mas sim “qual o custo de não ter uma estratégia sólida?”.

Ajustar embalagens ou investir em novas formas de processamento não é algo que se faz da noite para o dia; é um plano de transição. Quem deixar para decidir na última hora, sob pressão de prazos, vai pagar mais caro e terá menos opções.

O Decreto 12.668/2025 é um divisor de águas. Ele obriga a indústria a assumir custos que, por muito tempo, ficaram divididos com a sociedade. A economia circular não é um assunto técnico de engenharia; é um tema de gestão e governança.

Em 2026, ter o controle total do rastro dos seus resíduos não será um diferencial, mas a condição básica para continuar operando. O desafio agora é transformar essa obrigação em uma vantagem para o seu negócio. Sua empresa está liderando essa mudança ou apenas esperando a próxima notificação chegar?

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