O gargalo das médias empresas brasileiras hoje pode estar na gestão delas. Com essa leitura, a Rossetto & Lorenzi anuncia a R&L Capital, uma holding criada para unir alocação disciplinada de capital com governança e execução no longo prazo.
O lançamento marca uma virada estratégica na trajetória dos sócios Fábio Rossetto e Matheus Lorenzi, em direção de um caminho que vai além da prestação de serviços. A meta é atingir R$100 milhões de valor de portfólio em 5 anos.
O movimento chega em um momento em que o mercado de gestão financeira para médias empresas brasileiras vive crescente demanda por soluções que combinem capital e inteligência operacional.
A R&L Capital nasce com seis empresas já incorporadas ao portfólio (nos segmentos de alimentação, setor financeiro, saúde e consultoria) e mais quatro negócios no pipeline de entrada.
A lógica da holding é uma extensão direta do método que Rossetto e Lorenzi já aplicavam como consultores. A Rossetto & Lorenzi ficou conhecida por não se limitar a entregar apresentações, já que a empresa assume “mandatos executivos”, ocupando cadeiras de decisão nas empresas clientes e acompanhando indicadores até que os números mudem de fato.
A R&L Capital institucionaliza essa atuação sob a forma de participação societária. Em vez de cobrar honorários por projeto, os sócios entram nas empresas como sócios-gestores, com visão de dono e horizonte de longo prazo, um modelo que eles descrevem como inspirado em conglomerados como a Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, e a Itaúsa, braço de investimentos do grupo Itaú.
“A R&L Capital nasce como uma holding de longo prazo, capital permanente com inteligência operacional para construir empresas resilientes, escaláveis e valorizáveis”, afirma Fábio Rossetto, cofundador e CGO.
A tese por trás da holding
Para Matheus Lorenzi, cofundador e CEO, a R&L Capital responde a um diagnóstico preciso sobre por que tantos negócios brasileiros ficam presos em um ciclo de crescimento frágil. A holding foi desenhada para atacar um tripé recorrente, sobre a falta de clareza econômica sobre o que move margem e caixa, ausência de governança formal e execução sem disciplina.
“Muitas empresas têm potencial, mas travam porque não sabem o que realmente move seus resultados e quando sabem, não conseguem transformar isso em execução com consistência”, diz.
Cada empresa do portfólio recebe uma tese individual, que pode envolver melhora de eficiência operacional, recomposição de margens, reestruturação de capital de giro ou crescimento orgânico e por aquisições. A governança é implementada com rituais de execução, metas e prestação de contas formal.
“A consultoria cria resultado para clientes, a holding aplica a mesma disciplina para construir e valorizar empresas do portfólio”, resume.
Além das participações diretas, em que os sócios assumem gestão ativa, a R&L Capital também está aberta à captação de investidores estratégicos interessados em alocar capital em um portfólio focado na economia real.
Trajetória que sustenta a aposta
O capital reputacional por trás do lançamento é considerável. Fábio Rossetto tem 25 anos de carreira, com passagens por Deloitte, KPMG e McKinsey, além de formação pela Harvard Business School, FGV e PUC.
Matheus Lorenzi, 38 anos, acumula 15 anos em finanças corporativas, incluindo a direção financeira de empresas de capital aberto e de companhias investidas por fundos de private equity.
Juntos, os sócios contabilizam mais de 100 projetos, entre eles, a reestruturação do Centro Clínico Gaúcho (CCG Saúde), que em 2019 enfrentava uma crise profunda e hoje é líder regional em seu segmento. As operações que passaram pelas mãos dos dois somam mais de R$1 bilhão em faturamento.
“Receita engana, caixa e margem não mentem, e nossa atuação existe para fortalecer os fundamentos antes de crescer”, diz.
Cenário e contexto
O lançamento acontece em um ambiente econômico que o próprio Lorenzi descreve como desafiador, mas com sinais relevantes no médio prazo. Para os fundadores, o momento reforça exatamente a agenda que a holding pretende endereçar: produtividade, disciplina de caixa e seletividade de investimento.
“O problema que mais vejo nas empresas brasileiras é muito projeto com pouca entrega e a R&L Capital existe para fechar esse gap com método e governança”, afirmam.
Nos próximos cinco anos, além de expandir o portfólio, os fundadores planejam transformar a Rossetto & Lorenzi em uma plataforma de referência em criação de valor, com capacidade de escalar por meio de parcerias e certificação de método, tendo a frente de equity como consequência direta do trabalho realizado nas empresas investidas.