Bruno Gurgel construiu sua carreira impulsionado pela curiosidade sobre como a tecnologia conecta pessoas. Formado em Engenharia da Computação com foco em telecomunicações, ele acompanhou de perto a evolução das ferramentas digitais. Anos depois, foi justamente a relação intensa com a tecnologia que o levou a uma transformação pessoal e profissional.
Após enfrentar a obesidade e receber um diagnóstico de dependência de telas, o empreendedor decidiu transformar sua própria experiência em propósito.
Hoje, à frente da EquilibriON, Bruno atua na conscientização sobre os impactos do uso excessivo da tecnologia na saúde mental, emocional e física. Em entrevista ao Economia SC, ele fala sobre carreira, empreendedorismo, hábitos de vida, aprendizados e os planos de expandir internacionalmente uma iniciativa que busca promover um uso mais saudável do mundo digital.
Conte um pouco como começou sua carreira e como decidiu sua formação
Eu sempre fui muito curioso, sempre gostei de desmontar e montar objetos. Acredito que por esse motivo me interessei rapidamente por computação, principalmente para ajudar as pessoas a se comunicarem. No início dos anos 2000 as ferramentas de comunicação ainda eram muito nebulosas, e eu achava muito incrível a possibilidade de se comunicar com uma pessoa do outro lado do mundo e ao mesmo tempo não estar presente com ela. Então resolvi estudar Engenharia da Computação focada em telecomunicações, muito movido à curiosidade, e também porque eu gostava de entender como as pessoas se comunicavam. Essa história tem um pouco daquele “quê” de Os Jetsons, da tela grande, que nós nem sabíamos que ia ser tão comum hoje em dia. Resumidamente foi isso, decidi estudar informática, mas pensando na comunicação.
Como nasceu a EquilibriON?
A EquilibriON nasceu a partir da minha própria trajetória pessoal. Já fui obeso, chegando a pesar 196 quilos e já tive diagnóstico de vício em telas. A empresa surgiu de uma vontade de contar a minha história e ajudar a evitar que outras pessoas passem pelo que passei. O negócio foi criado com o apoio da A10 Partners, que é uma empresa do grupo, que tem uma tese de investimento em empresas que podem mudar a saúde mental, emocional e física das pessoas. A EquilibriON nasceu com a ideologia de fazer com que as pessoas minimizem o adoecimento mental, emocional e físico através do uso adequado das tecnologias.
O que te motiva a empreender?
Depois de quase 20 anos no mercado de trabalho, o que me dá mais gás para empreender é poder investir nas minhas próprias ideias, principalmente com propósito, e entender que aquela companhia vai entregar um valor para a sociedade que é distinto. Quando falo da EquilibriON, isso se traduz em minimizar o adoecimento mental, emocional e físico através do controle de telas, e quando falo da A10 isso significa ajudar empresas a transformar negócios com tecnologia. Sou muito movido pelo propósito e claramente pela remuneração que acaba sendo discricionária através da maneira como você trabalha no mercado.
Quais são os principais desafios que surgiram pelo caminho e os principais aprendizados da carreira?
Empreender é muito complicado e os desafios são inúmeros. Quando você empreende você é todas as áreas da empresa, como vendas, marketing, Recursos Humanos e financeiro, além da área de especialidade da empresa. Resumindo, você é a operação. Você é o pesquisador, você cria o produto ou desenvolve o serviço e entrega isso para o seu cliente e colhe o resultado. A dificuldade é você se multiplicar em diversas áreas de conhecimento distintas e também aceitar que é preciso sempre aprender e ouvir outras pessoas, saber que nada é feito sozinho. Muitos aprendizados eu colhi ao longo da carreira, como ouvir mais do que falar e saber me posicionar bem. Aprendi muito com muita gente, tive a sorte de ter muitas pessoas boas ao meu lado, mas também aprendi o que não queria ser o que não queria fazer.
Uma dica de leitura
Um dos livros que eu mais gosto e que fala muito com parte da transformação de vida que passei se chama O Jogo Infinito, do Simon Sinek. No livro ele aborda como muitas vezes tratamos a vida como se fosse uma partida de futebol ou de basquete, de um jogo finito, sendo que ela é um jogo infinito, já que não estamos aqui para ganhar alguma coisa, para conseguir três pontos ou fazer uma cesta. A vida continua independentemente do que aconteça. Esse livro é uma das melhores leituras que tenho hoje para compartilhar. Também gostaria de recomendar o meu próprio livro, o Recomece, onde abordo um pouco essa questão também, mas uso a minha história para inspirar as pessoas.
Quais são seus hobbies hoje? Existe algum hábito que considera essencial para manter a produtividade ou a saúde mental?
Desde que mudei de vida tenho alguns hábitos. É como se eu tivesse uma dívida diária comigo mesmo, então logo ao acordar faço algo pela minha saúde mental, emocional e física, como fazer exercícios, ler ou meditar, algo que me ajude a ter a cabeça em dia. Por exemplo eu amo cozinhar, então cozinho minha própria comida, hoje quase não peço delivery, invisto muito tempo em coisas que me façam ficar menos ansioso, principalmente atividades com as mãos. Meus hobbies durante muito tempo foram o triatlo, corrida, yoga, e hoje como moro na praia tenho surfado muito, montado quebra-cabeças, voltei a tocar guitarra e violão, tenho saído com os amigos, feito luais na praia, em casa e nos bares aqui perto, mas o hobbie da minha vida sempre vai ser cozinhar.
O que ainda deseja realizar profissionalmente?
Tem várias coisas que gostaria de alcançar profissionalmente, mas acredito que escalar a EquilibriON internacionalmente é um sonho grande. É uma dor latente, poucas pessoas vem falando do adoecimento pelo exagero do uso das telas, a população está ficando doente, temos vistos casos que envolvem Bets, agressões familiares, cada vez mais as pessoas têm vivido em isolamento social e se relacionado menos com pessoas, formando menos casais, fazendo menos sexo. Temos partido para uma sociedade extremamente apartada e polarizada justamente porque o exagero do uso das telas está afetando a forma como existimos enquanto seres humanos. Então, escalar essa empresa é o maior sonho da minha vida, já que esse é um problema global e não regional.