Por Heloísa Santana, presidente-executiva da AMPRO.
A economia da experiência ocupa hoje um espaço estratégico na atividade econômica brasileira. O setor reúne aproximadamente 299 mil empresas, gera 12,7 milhões de empregos, realiza mais de 10 milhões de experiências por ano e responde por cerca de 4,6% do PIB nacional.
Mais do que um conjunto de atividades ligadas à comunicação, trata-se de uma cadeia produtiva que conecta criatividade, tecnologia, logística, serviços especializados e inovação para gerar valor econômico e fortalecer a competitividade das marcas.
Esse crescimento trouxe ganhos importantes para a economia, mas também aumentou a complexidade das operações.
Quanto mais sofisticadas se tornam as entregas, maior é a necessidade de investimento em pessoas, tecnologia, processos e capacidade operacional. Ao mesmo tempo, cresce a importância de relações comerciais capazes de oferecer previsibilidade para que empresas planejem seu desenvolvimento e ampliem sua capacidade de inovar.
Esse desafio não é exclusivo da economia da experiência.
Em diferentes segmentos intensivos em serviços e conhecimento, ainda predominam modelos de contratação que exigem investimentos antecipados elevados e ciclos longos de recebimento. Na prática, isso pressiona o capital de giro das empresas, reduz a capacidade de investimento e limita ganhos de produtividade e competitividade.
Esse é um debate econômico antes de ser setorial.
Nos últimos anos, empresas avançaram de forma consistente em suas agendas de ESG, fortalecendo compromissos ambientais, sociais e de governança. Talvez seja o momento de ampliar essa discussão para incluir, com maior profundidade, a sustentabilidade econômica das relações de negócio.
Governança também significa previsibilidade.
Significa criar ambientes capazes de estimular investimentos, inovação, desenvolvimento de talentos e relações de longo prazo entre empresas.
Cadeias produtivas mais equilibradas geram benefícios para todos os seus participantes. Empresas tornam-se mais competitivas, profissionais encontram melhores oportunidades de desenvolvimento e clientes recebem soluções mais qualificadas e inovadoras.
O Brasil construiu uma posição de destaque internacional pela criatividade. Preservar essa vantagem competitiva dependerá cada vez mais da capacidade de transformar criatividade em produtividade, investimento e crescimento sustentável.
Porque inovação exige investimento. Investimento exige confiança. E confiança se constrói por meio de relações de negócio capazes de gerar valor para todos os elos da cadeia.