A Beacon, empresa especializada em gestão patrimonial para empreendedores, investidores e executivos do ecossistema de tecnologia, anunciou a incorporação da 314 Capital e avança na estratégia de se consolidar como uma plataforma integrada de family office.
Com a operação, a companhia projeta ultrapassar R$ 1 bilhão em ativos sob gestão (AuM) em 2026 e amplia em 28% sua base de clientes, chegando a 60 famílias atendidas.
A incorporação amplia uma parceria iniciada entre as empresas em 2025. A partir do movimento, a empresa passa a reunir em uma única estrutura gestão de investimentos e suporte jurídico e tributário, buscando acompanhar o patrimônio dos empreendedores desde a construção das empresas até eventuais eventos de liquidez.
A operação também marca a chegada de dois novos sócios. Alfredo Cunha, com passagens por BTG Pactual e Julius Baer, e Juliana Brasil, ex-BTG e Deloitte, passam a integrar o time ao lado de Ricardo Coelho Duarte, CEO da Beacon, e Natan Epstein, CIO da companhia e fundador da 314 Capital.
Para Ricardo, o amadurecimento do ecossistema brasileiro de tecnologia também cria novas demandas relacionadas à gestão do patrimônio dos fundadores:
“A jornada do fundador não termina quando a empresa cresce. Pelo contrário: é nesse momento que surgem novos desafios relacionados ao patrimônio, à família e ao legado. Nosso objetivo é oferecer uma estrutura completa para que esses empreendedores e membros do ecossistema possam tomar decisões estratégicas com mais segurança, preservando e potencializando o patrimônio construído ao longo de suas trajetórias”, afirma.
Segundo o executivo, a proposta é acompanhar os empreendedores durante diferentes momentos da construção patrimonial:
“Somos o parceiro da iliquidez até a liquidez de quem constrói algumas das principais companhias de tecnologia no Brasil”, acrescenta.
Modelo reúne mais de 200 fundadores
A trajetória da Beacon começou com uma proposta diferente das estruturas tradicionais de gestão patrimonial: o Equity Pool, modelo no qual fundadores aportam parte de suas participações em startups em um veículo de investimento e, em contrapartida, passam a ter exposição indireta às demais empresas que integram o portfólio.
Na prática, a estrutura cria uma forma de diversificação patrimonial entre empreendedores e, ao mesmo tempo, aproxima fundadores de diferentes empresas do ecossistema.
“O Equity Pool gerou nossa identidade inicial como uma casa voltada aos empreendedores, mas percebemos que, para atendê-los ao longo de toda a jornada, era necessário ir além e também servir a pessoa física. Hoje consolidamos esse posicionamento como parceiro financeiro desses fundadores”, explica.
Atualmente, o modelo reúne mais de 200 fundadores em dois fundos, com aproximadamente R$ 142 milhões em participações societárias.
O primeiro Equity Pool reúne 90 fundadores de 37 startups e soma cerca de R$ 72 milhões em participações. O segundo conta com 94 empreendedores de 46 empresas, com aproximadamente R$ 70 milhões.
O modelo também registrou seu primeiro evento de liquidez com a venda parcial da participação na Omie, que posteriormente voltou a integrar o segundo Equity Pool.
Comunidade amplia conexão entre founders
Além da diversificação patrimonial, a estrutura deu origem a uma comunidade de empreendedores voltada à troca de experiências, geração de negócios e criação de conexões. Nos últimos 12 meses, a Beacon realizou mais de 40 eventos ligados à rede.
Segundo Ricardo, a convivência com esses fundadores ajudou a identificar uma demanda por serviços que fossem além do Equity Pool:
“Percebemos que nossos clientes buscavam muito mais do que uma solução para diversificação patrimonial. Eles precisavam de uma estrutura especializada para cuidar de todas as dimensões do patrimônio ao longo da vida da empresa e também depois dos eventos de liquidez. O Equity Pool foi o ponto de partida para construirmos uma plataforma completa de wealth management voltada às necessidades específicas dos founders”, destaca.
A expansão também trouxe novos nomes para a estrutura. Rodrigo Cunha, fundador da Neurotech e conselheiro da B3, passou a integrar a Beacon como investidor-anjo e advisor.
Próximo passo inclui fundo de crédito
A estratégia para os próximos ciclos passa por ampliar os produtos financeiros conectados ao próprio ecossistema de tecnologia construído pela Beacon.
Entre os projetos previstos ainda para 2026 está a criação de um fundo de crédito estruturado como FIDC, que deverá permitir investimentos, ao lado dos clientes do family office, em oportunidades relacionadas às startups da rede.
Para Ricardo, o acesso a oportunidades tende a se tornar um dos principais diferenciais no segmento de gestão patrimonial:
“Mais do que um veículo de investimento, construímos uma comunidade em que os fundadores crescem juntos. É uma forma de fortalecer o ecossistema enquanto cuidamos das pessoas que o constroem”, afirma.
Com a incorporação da 314 Capital, a Beacon busca avançar justamente nessa direção: transformar a relação construída com empreendedores de tecnologia em uma plataforma capaz de acompanhar empresa, patrimônio e família ao longo dos diferentes ciclos da jornada empreendedora.