Economia SP - Nova tributação sobre contratação de PJs pode aumentar custos das empresas

Pesquisar

Nova tributação sobre contratação de PJs pode aumentar custos das empresas

Empresas que possuem uma parcela significativa de profissionais contratados como pessoa jurídica podem enfrentar novos custos tributários no futuro. O governo federal estuda a criação de uma contribuição previdenciária voltada a empresas com alta proporção de trabalhadores PJs, como forma de compensar impactos na arrecadação da Previdência. A medida ainda está em discussão e não há, neste momento, uma nova cobrança em vigor. 

A proposta considera diferenciar empresas que utilizam a contratação de pessoas jurídicas para serviços específicos daquelas que concentram grande parte de sua força de trabalho nesse modelo. Segundo Ariel Franco, advogado tributarista da Hemmer Advocacia, a discussão merece atenção das empresas porque pode alterar o custo de estruturas de contratação hoje utilizadas em diferentes setores da economia.

“Se uma contribuição dessa natureza avançar, o impacto não estará restrito à área trabalhista. Haverá um efeito tributário direto sobre empresas que utilizam de forma mais ampla a contratação de prestadores de serviços como pessoa jurídica, o que pode exigir uma revisão de custos e do próprio planejamento empresarial”, explica.

Atualmente, a contratação de profissionais por meio de pessoa jurídica não é, por si só, ilegal. O debate apresentado pelo governo está relacionado principalmente às situações em que esse modelo é utilizado em larga escala e à redução da arrecadação previdenciária decorrente da substituição de vínculos formais por outras formas de contratação.

Para o advogado, um dos pontos que precisarão ser esclarecidos caso a proposta avance é justamente quais critérios serão utilizados para definir as empresas sujeitas à eventual contribuição. “A criação de uma nova cobrança exige critérios objetivos. Será necessário saber, por exemplo, qual proporção de prestadores PJ poderá gerar a incidência, qual será a base de cálculo e como serão tratadas empresas cuja própria atividade exige a contratação recorrente de serviços especializados”, afirma.

Essas definições podem ser especialmente relevantes para setores que utilizam com frequência profissionais independentes, consultorias e serviços especializados. Dependendo do desenho da medida, a nova contribuição poderá influenciar a formação de preços, margens e decisões sobre modelos de contratação.

Neste caso, uma eventual mudança deverá ser analisada sob a perspectiva da segurança jurídica e dos princípios que orientam a criação de tributos e contribuições no país. “Antes de qualquer impacto concreto para as empresas, uma proposta como essa precisará passar pelo processo legislativo e ter seus limites claramente definidos. Neste momento, o mais importante é acompanhar a discussão e avaliar previamente como uma eventual mudança poderia afetar a estrutura de custos do negócio”, ressalta Ariel. 

O debate reforça a importância de as empresas conhecerem os efeitos tributários das diferentes formas de contratação e acompanharem mudanças que possam alterar sua carga previdenciária. “Modelos de contratação também fazem parte do planejamento financeiro e tributário das empresas. Qualquer alteração na tributação dessas relações pode ter reflexos importantes sobre custos e competitividade, por isso o acompanhamento preventivo é fundamental”, conclui.

Compartilhe

Leia também