Em um mercado de venture capital que voltou a operar em volumes próximos aos maiores ciclos da indústria, US$ 560 bilhões no 1º semestre de 2026, o maior em cinco anos, a Bossa Invest anuncia uma mudança de comando.
Antonio Patrus assume a presidência com a missão de levar a gestora de R$ 600 milhões para R$ 1 bilhão sob gestão até o final do ano, crescimento de 67%.
O movimento acontece em um momento em que o capital de risco também se torna mais seletivo: na América Latina, entre 2023 e 2025, os follow-ons representaram 50% dos cheques de early stage, sinal de que investidores passaram a concentrar recursos em empresas que já demonstraram capacidade de avançar para novas rodadas.
Nova presidência com foco em captação e ecossistema
A gestão anterior, conduzida por Paulo Tomazela ao longo de três anos, foi marcada pela estruturação interna da operação. A nova fase dará maior peso à captação, ao relacionamento com investidores, à originação de negócios e à aproximação com os empreendedores, frentes que Patrus deverá liderar diretamente. Ele avalia a escolha:
“O conselho acompanhou de perto a trajetória do Patrus nesses 10 anos e via nele a combinação exata que a Bossa precisava para esse momento: profundo conhecimento da operação e alinhamento total com a disciplina que construímos. Essa é uma sucessão pensada, não improvisada, e reflete a maturidade que a Bossa alcançou como instituição.”
Comitê de co-investidores e inteligência artificial
Uma das primeiras iniciativas previstas pela nova gestão é a criação de um comitê de co-investidores, com o objetivo de aproximar essa base das teses de investimento e das startups do portfólio.
A Bossa já reúne mais de 10 mil co-investidores, ultrapassou 130 exits e chegou à marca de 1.800 startups investidas, com valuation consolidado superior a R$ 5 bilhões.
A nova presidência também prevê intensificar o uso de inteligência artificial nos processos da gestora, desde etapas operacionais até análise e acompanhamento dos investimentos. A proposta é aumentar a capacidade de execução sem desmontar os controles implementados no ciclo anterior.
Reorganização interna e continuidade estratégica
Com a mudança no comando, Tomazela passa a atuar como CIO da Bossa Gest, unidade voltada a fundos e investimentos em companhias com necessidades maiores de capital.
João Kepler, fundador, conselheiro e CVO da gestora, permanece diretamente ligado à estratégia de expansão:
“Construir a Bossa foi a realização de um sonho, e vê-la ser conduzida por alguém que cresceu junto com a empresa é o melhor desfecho que eu poderia desejar”, afirma.