Economia SP - Nenhum candidato vai fazer sua empresa crescer por você

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Nenhum candidato vai fazer sua empresa crescer por você

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Por Dema Oliveira, CEO e fundador da Goshen Land.

A campanha eleitoral trouxe de volta um debate importante: crédito, desburocratização, apoio à pequena e média empresa. É bom que esse assunto ganhe espaço. Mas reparo em algo que se repete a cada ciclo eleitoral: empresário adia decisão de crescimento esperando um cenário mais favorável, um governo mais amigável, uma taxa de juros menor.

Entendo o raciocínio. O ambiente externo importa, e muito. Só que, depois de anos assessorando empresas em fase de expansão, aprendi a desconfiar de quem trata o resultado da eleição como a principal variável do próprio crescimento. Na prática, quase nunca é.

O que realmente trava o crescimento

Quando olho para empresas que não conseguem sair do lugar, raramente o motivo principal é o cenário macroeconômico. É estrutura de decisão concentrada numa pessoa só. É processo que não foi desenhado para o dobro do volume atual. É time contratado para resolver o problema de ontem, não o de daqui a um ano.

Esses três problemas não desaparecem se o próximo presidente facilitar crédito. E, ao contrário do que parece, também não pioram muito se o cenário for mais apertado. Eles são internos, e resolvê-los está dentro do controle do empresário, independentemente de quem ganhar a eleição.

Isso não quer dizer que política pública não importa

Não estou dizendo que o ambiente regulatório é irrelevante, eu mesmo já defendi publicamente que previsibilidade nas regras muda a disposição de investir. E é verdade que boa parte do que se discute em ano eleitoral ajuda mais quem está abrindo uma empresa do que quem já abriu e está tentando fazer ela crescer. Mas o que questiono é usar a incerteza eleitoral, ou essa lacuna, como justificativa para adiar decisões que já deveriam ter sido tomadas há tempos.

Já vi empresário segurar uma contratação estratégica, adiar a profissionalização da gestão ou empurrar uma decisão de expansão para “depois que a poeira baixar” na eleição. Na maior parte das vezes, quando a poeira baixa, o concorrente que não esperou já ocupou o espaço.

Controle o que está sob seu controle

Eleição vai acontecer, o resultado é incerto, e isso é exatamente por isso que não deveria ser a base do seu planejamento. Empresa que só cresce quando o cenário está perfeito não desenvolve a musculatura para crescer quando o cenário aperta, e cenário perfeito é raro em qualquer país, com qualquer governo.

O conselho que dou a quem assessoro é sempre o mesmo, eleitoral ou não: resolva primeiro o que depende só de você. Estrutura, processo e time bem montados são o que permite a uma empresa crescer independentemente de quem estiver no poder, e é também o que faz dela capaz de aproveitar rápido se o cenário melhorar.

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