A busca por aparelhos de ar-condicionado mais eficientes está movimentando investimentos na cadeia brasileira de climatização.
Com novas exigências de eficiência energética entrando no radar da indústria, a Tecumseh avança em um ciclo de investimentos que envolve desenvolvimento tecnológico, aumento da capacidade produtiva e novas estruturas industriais em São Paulo e no Amazonas.
A companhia iniciou em São Carlos (SP) a produção do compressor rotativo inverter VR3, desenvolvido e validado no Brasil. As entregas ao mercado estão previstas para começar no segundo semestre.
O projeto recebeu R$ 16 milhões em desenvolvimento, pesquisa e adequação das linhas industriais, além de R$ 64 milhões para expansão da capacidade instalada, totalizando R$ 80 milhões nesta etapa.
O produto foi desenvolvido para acompanhar as novas exigências do mercado brasileiro e os parâmetros de eficiência energética estabelecidos pela Portaria 269 do Inmetro.
Novo compressor reduz peso e consumo de energia
Utilizado como um dos principais componentes dos aparelhos de ar-condicionado, o novo compressor incorpora um motor elétrico inverter de seis polos.
Na comparação com a geração anterior, segundo dados da Tecumseh, o VR3 apresenta ganho de 5% no índice de eficiência energética IDRS, redução de 5 decibéis no nível de ruído, estrutura 12% menor em altura e redução de 30% no peso.
As mudanças têm impacto também sobre os fabricantes de equipamentos, concentrados principalmente no Polo Industrial de Manaus, ao permitir a utilização de componentes menores e mais leves em novas plataformas de climatização.
“O VR3 é um marco: ele traduz a capacidade da Tecumseh de colocar a tecnologia brasileira no estado da arte mundial em compressores rotativos inverter. Ele foi concebido para entregar eficiência energética, desempenho e robustez, atendendo às novas regras do mercado”, afirma Ricardo Maciel, CEO global da Tecumseh.
Engenharia brasileira ganha espaço no desenvolvimento
Além da produção, São Carlos concentra o Centro de Tecnologia Global de Compressores da Tecumseh, que reúne mais de 100 engenheiros, mestres e doutores envolvidos em atividades de pesquisa e desenvolvimento.
A cadeia de fornecedores também tem peso relevante na operação: cerca de 80% dos insumos utilizados pela companhia são adquiridos de fornecedores locais.
“Quando comprovamos a eficiência e a robustez de um compressor na prática, reduzimos incertezas na cadeia e protegemos o planejamento dos fabricantes”, destaca Flávio Rios, gerente sênior global de Laboratórios de Engenharia da Tecumseh.
A empresa já iniciou consultas a clientes e fabricantes para identificar os requisitos da próxima geração de compressores, chamada de VR4.
Expansão chega a Manaus
O movimento em São Carlos faz parte de um plano industrial mais amplo. A Tecumseh também anunciou a implantação de uma nova unidade fabril e de um Centro de Aplicação Avançado em Manaus (AM).
Serão R$ 60 milhões destinados à infraestrutura e aos equipamentos na capital amazonense, além de outros R$ 70 milhões na fábrica de São Carlos, responsável pela produção de componentes que abastecerão a nova operação.
Somados aos R$ 80 milhões relacionados ao desenvolvimento e à expansão produtiva do VR3, os investimentos anunciados chegam a R$ 210 milhões.
A estratégia aproxima a produção de compressores do principal polo fabricante de aparelhos de ar-condicionado do país e reforça a integração entre indústria, fornecedores e pesquisa e desenvolvimento.
Em um momento de aumento das exigências de eficiência energética, os investimentos mostram como a adequação regulatória também começa a acelerar a modernização da cadeia de climatização no Brasil.