Por Thaís Roque, estrategista de carreiras femininas e host do podcast ‘De Carona na Carreira’.
Às vezes, eu me faço uma pergunta que pode parecer desconfortável, mas que considero cada vez mais necessária para quem cria um negócio a partir da própria imagem, história e reputação: Se amanhã eu desativasse as redes sociais, o que aconteceria com a minha empresa?
Quando comecei a construir minha marca pessoal, colocar mais de mim em tudo fazia parte do jogo. E, de certa forma, ainda faz. O podcast tem a minha voz, os livros têm o meu nome na capa e eu estou à frente de encontros, conversas e experiências que criei.
Ao longo dos anos, fui criando diferentes pontos de contato com as pessoas e, aos poucos, meu nome passou a estar associado à carreira e negócios femininos. Agora, o objetivo é fazer essa marca gerar valor sem que tudo dependa da minha presença e é aí que o negócio começa a ganhar outras camadas.
Eu continuo sendo uma parte central de tudo isso. Minha história, minha visão e minha voz estão presentes na construção do TR. Mas meu trabalho deixou de estar restrito àquilo que eu consigo produzir ou entregar individualmente. Minha marca pessoal passou a ser o fio que conecta diferentes produtos, comunidades e experiências.
E essa transição me ensinou três lições importantes sobre construir uma marca pessoal que também sustente uma empresa:
1. Seu nome abre a porta. O que existe depois dela?
Uma marca pessoal forte pode fazer alguém parar para ouvir, comprar, acompanhar ou conhecer seu trabalho, mas esse primeiro contato precisa levar a algum lugar.
No meu caso, são as comunidades, os produtos, os encontros e as experiências que dão continuidade a essa relação depois do primeiro contato.
Essa talvez seja uma das grandes diferenças entre ser uma pessoa que produz conteúdo e construir uma empresa a partir de uma marca pessoal.
Conteúdo chama atenção e marca cria reconhecimento, mas é o negócio que precisa transformar essa atenção em relacionamento, experiência e valor.
Quando toda a jornada termina na fundadora, existe uma limitação. Quando a marca consegue levar a pessoa para um ecossistema maior, existe uma empresa.
2. Pare de colocar tudo na sua cabeça
Essa é uma das maiores armadilhas de quem empreende a partir da própria expertise.
Você sabe como fazer, por que fazer e o que funciona. Você sabe vender, entregar, decidir e resolver. E, sem perceber, tudo começa a depender de você.
O problema é que aquilo que inicialmente parece uma vantagem competitiva pode se transformar em um gargalo para o crescimento.
Se o conhecimento necessário para o negócio funcionar está concentrado na cabeça da fundadora, a empresa cresce apenas até onde a fundadora consegue acompanhar.
Por isso, uma parte fundamental da construção de uma empresa acontece quando processos, métodos, produtos, conteúdos, ferramentas e pessoas são capazes de reproduzir o que você sabe e faz com qualidade.
Chegar nesse lugar significa parar de confundir essência com centralização.
O conhecimento que está apenas na sua cabeça é patrimônio pessoal. Quando ele é organizado, compartilhado e transformado em método, passa a ser também patrimônio da empresa.
3. A marca pode ser sua. A empresa precisa ser maior que a fundadora.
Existe uma diferença importante entre ter uma empresa fortemente associada à sua fundadora e ter uma empresa que só funciona quando ela está presente.
Eu quero que meu nome continue sendo uma parte importante do TR. Não vejo sentido em negar a origem, a história e a pessoa que ajudou a construir tudo isso.
Mas também quero que alguém possa entrar em uma comunidade, consumir um produto, participar de uma experiência ou se relacionar com uma pessoa do time e perceber valor mesmo quando eu não estou naquela sala.
Esse, para mim, é um dos sinais mais importantes de maturidade de um negócio baseado em marca pessoal.
Porque uma coisa é ter construído um negócio ao redor de você. Outra, muito maior, é construir um negócio que nasceu de você, carrega seus valores e, ainda assim, consegue caminhar com as próprias pernas.