A ADATA, segunda maior fabricante mundial de memória DRAM e SSDs de marca própria, ampliou sua operação industrial no Brasil em 2026 com dois movimentos simultâneos: a entrada em operação de um segundo prédio industrial em Manaus (AM), que dobrou a área fabril da unidade, e o início da fabricação de circuitos integrados de memória para dispositivos móveis em Santo Antônio de Posse (SP). A companhia também transfere para Manaus a fabricação de servidores de alta potência para data centers, desenvolvida em parceria com a Giga Computing, com previsão de operação na nova localização a partir de dezembro de 2026.
Os movimentos ampliam uma operação que representa 20% do resultado global da companhia, com 90% da produção destinada ao mercado brasileiro. As duas unidades fabris funcionam em três turnos. Entre 2025 e 2026, os investimentos foram intensificados com base em um projeto de R$ 290 milhões anunciado em 2024, financiado pelo BNDES, voltado à expansão da produção nacional e à implantação de novas tecnologias.
A operação industrial da ADATA no Brasil começou em 2017 em Santo Antônio de Posse, com encapsulamento e testes de módulos DRAM. Em 2019, a unidade passou a realizar montagem SMT de módulos DRAM. Em 2021, a companhia iniciou as atividades em Manaus, com montagem SMT e testes de módulos DRAM e SSDs. Em 2024, teve início a fabricação de servidores em parceria com a Giga Computing.
Memórias para dispositivos móveis e ampliação de DDR5
A entrada na fabricação de circuitos integrados de memória para dispositivos móveis representa uma nova frente tecnológica para a unidade de Santo Antônio de Posse. Nivaldo Gagliardo, vice-presidente de Operações da ADATA, detalha a aplicação dos investimentos:
“Parte dos recursos já foi direcionada à aquisição de equipamentos para ampliar a capacidade produtiva de DDR5 e à implementação das tecnologias necessárias à fabricação de memórias para dispositivos móveis. No curto prazo, o saldo será aplicado na expansão dessa estrutura, e novos investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento estão previstos ao longo de 2026. O Brasil vem assumindo um papel cada vez mais relevante em nossa estratégia industrial, com aportes que ampliam nossa capacidade produtiva e tecnológica e nos permitem acompanhar a evolução das demandas do mercado.”
Servidores para data centers em Manaus
A fabricação de servidores, hoje realizada em Santo Antônio de Posse, está em processo de transferência para Manaus com capacidade ampliada. O modelo é baseado em manufatura sob contrato: a ADATA é responsável pela fabricação, enquanto o produto e a marca pertencem à Giga Computing. O primeiro lote do servidor de alta potência para data centers deverá demandar entre três e quatro meses de fabricação.
A ampliação dos servidores deverá incrementar em 10% o quadro de colaboradores da operação até o final de 2026. O movimento acompanha o crescimento da demanda por infraestrutura associada à inteligência artificial e à computação de alto desempenho (HPC).
Próximos passos: automação e novos segmentos
A continuidade dos investimentos prevê o aprimoramento das estruturas existentes e a avaliação de oportunidades em automação comercial, automação industrial e mercado automotivo. Nivaldo avalia o que orienta essa evolução:
“A diversificação da produção exige não apenas novas linhas e equipamentos, mas também conhecimento técnico e capacidade de desenvolvimento. A entrada em memórias para dispositivos móveis e a expansão da fabricação de servidores são exemplos de como a estrutura brasileira vem evoluindo para atender aplicações distintas.”