Por Tiziano Filho, CEO do Grupo Leveros.
Toda empresa familiar chega, em algum momento, à pergunta: como fazer com que aquilo que foi construído ao longo dos anos continue relevante no futuro? Para mim, sucessão está nesse equilíbrio entre respeitar uma história e preparar o negócio para o que ainda está por vir.
Os números mostram o tamanho desse desafio. Segundo dados da Fundação Dom Cabral, 71% das empresas de médio porte no Brasil são familiares, mas apenas 10,1% chegam à terceira geração. Mais do que uma troca de comando, a sucessão exige preparação, profissionalização e clareza sobre os papéis de cada integrante da família.
Na minha experiência, assumir responsabilidades na empresa fundada pelo meu pai, foi um processo construído ao longo do tempo. Trabalhar próximo da minha família me ensinou sobre gestão e também sobre as relações que envolvem uma empresa familiar. Tivemos opiniões diferentes e momentos de discordância. O aprendizado foi entender que as decisões precisam considerar, antes de tudo, o que é melhor para o negócio.
Essa separação é fundamental. Família e empresa podem caminhar juntas, mas não podem se confundir. Da mesma forma, colocar familiares na organização apenas pelo vínculo não contribui para a continuidade. Uma empresa que pretende atravessar gerações precisa de pessoas preparadas, independentemente da relação que tenham com os sócios.
Também aprendi que liderar exige disposição para evoluir. Buscar orientação e desenvolvimento profissional foi importante para ampliar minha visão e equilibrar as responsabilidades de gestor, integrante da família e líder de uma empresa em transformação.
Hoje, vejo a sucessão como a construção de uma nova etapa. O legado dá identidade ao negócio, mas não pode limitar sua evolução. Valores permanecem; estratégias precisam acompanhar o tempo.
Uma sucessão bem planejada não define apenas quem estará à frente da empresa amanhã. Ela cria condições para que o negócio continue competitivo, profissional e preparado para as próximas gerações.
Afinal, que legado queremos deixar para quem vem depois de nós?