A busca por menor dependência do diesel e maior aproveitamento de combustíveis produzidos dentro das próprias usinas começa a chegar também às máquinas utilizadas nas operações agrícolas.
A Grunner, fabricante de Lençóis Paulista (SP), investiu R$ 19,5 milhões para ampliar as opções de motorização de seus equipamentos e desenvolver uma nova plataforma voltada especificamente ao uso no campo.
Do total, R$ 15,5 milhões foram destinados às novas matrizes energéticas, com máquinas movidas a etanol e biometano, enquanto outros R$ 4 milhões foram aplicados no desenvolvimento da nova arquitetura.
Etanol e biometano entram no portfólio
Desenvolvidos em parceria com a MWM, os motores a etanol e biometano poderão equipar todo o portfólio da Grunner, incluindo a Linha ATR, destinada ao transbordo de cana, a Linha ASP, para aplicação de vinhaça, e a Linha ADS, voltada à distribuição de sólidos.
A estratégia tem relação direta com a estrutura energética das próprias usinas. Empresas que produzem etanol ou biometano poderão utilizar parte desse combustível nas máquinas agrícolas, reduzindo a exposição às oscilações do diesel e aumentando as alternativas para a gestão da frota.
“Quem produz o próprio combustível pode avaliar, de acordo com o cenário operacional e econômico, quando utilizá-lo na frota e quando destiná-lo ao mercado. Hoje, o diesel está entre os principais custos da operação agrícola mecanizada”, explica André Torquetti, gerente nacional de Vendas e Marketing da Grunner.
No caso do etanol, a empresa também prevê a possibilidade de retrofit de equipamentos que atualmente utilizam diesel. A conversão não estará disponível para a motorização a biometano. Atualmente, mais de 1,5 mil equipamentos da Grunner estão em operação no Brasil.
Nova plataforma nasce especificamente para o campo
Outra parte do investimento busca modificar a própria base utilizada para desenvolver as máquinas. A Grunner destinou R$ 4 milhões para uma nova plataforma desenvolvida em parceria com a Mercedes-Benz.
Até então, os equipamentos partiam de uma arquitetura originalmente criada para aplicações rodoviárias e posteriormente adaptada para o ambiente agrícola.
Com a mudança, a estrutura passa a ser concebida desde o início considerando as condições e exigências das operações no campo.
A Mercedes-Benz continuará responsável pela plataforma e pelo fornecimento das motorizações a diesel, enquanto a MWM fornecerá os motores a etanol e biometano.
Segundo a fabricante, a nova arquitetura foi projetada para aumentar a robustez e disponibilidade operacional, além de reduzir a necessidade de intervenções e custos de manutenção ao longo da vida útil.
“Estamos deixando uma plataforma originalmente concebida para aplicação rodoviária e posteriormente customizada para o campo para trabalhar com uma base desenvolvida especificamente para os equipamentos Grunner”, afirma André Torquetti.
Matriz energética ganha espaço na estratégia agrícola
A combinação de diferentes motorizações com uma plataforma desenvolvida para aplicações agrícolas permite que cada operação escolha configurações de acordo com suas necessidades.
Para as usinas sucroenergéticas, a possibilidade de utilizar combustíveis produzidos internamente adiciona uma nova variável à gestão de custos. Etanol e biometano deixam de ser apenas produtos comercializados e passam a poder integrar a matriz energética utilizada na própria produção.
Nesse cenário, o investimento da Grunner acompanha um movimento mais amplo do agronegócio: a busca por eficiência operacional, diversificação energética e menor dependência de combustíveis fósseis nas atividades intensivas em máquinas.