Economia SP - Fundador do JOTA aposta em IA para gestão do MEI e atrai mais de R$ 200 milhões de fundos globais

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Fundador do JOTA aposta em IA para gestão do MEI e atrai mais de R$ 200 milhões de fundos globais

Fundador e CEO do Jota, assistente financeiro que funciona dentro do WhatsApp e em aplicativo próprio, Davi Holanda levou a fintech a 300 mil clientes e R$ 3,5 bilhões em volume transacionado anualizado em pouco mais de um ano de operação.

No período, a empresa captou mais de R$ 200 milhões em duas rodadas. A mais recente, uma Série A de R$ 150 milhões (US$ 30 milhões), avaliou a companhia em US$ 185 milhões.

Nascido no Ceará e com mais de 20 anos de experiência profissional, Davi construiu a carreira observando as dificuldades de quem trabalha por conta própria e tem acesso limitado a serviços financeiros.

“Cresci vendo pequenos empreendedores fazerem contas no papel, anotarem vendas em caderno e dependerem de processos muito manuais para tocar o negócio. Isso moldou a forma como eu enxergo a tecnologia até hoje: ela só faz sentido quando simplifica a vida das pessoas”, afirma.

Rodadas com fundos internacionais

A primeira captação foi uma rodada seed de R$ 60 milhões, liderada pela MAYA Capital, com participação de HOF Capital, Big Bets, Alter Global e North Ventures.

A Série A foi liderada pela norte-americana Haun Ventures, no primeiro investimento do fundo no Brasil. A operação teve ainda HOF Capital e Alter Global, investidores desde a seed, além da Greyhound Capital.

“Atrair investidores globais para uma empresa nascida olhando para o empreendedor brasileiro mostra que problemas locais podem gerar soluções com relevância internacional”, avalia.

Seis anos no PagBank e participação no IPO

Antes de empreender, Davi atuou por seis anos como diretor do PagBank (antigo PagSeguro). No período, liderou a criação de mais de 15 produtos e a entrada da companhia no mercado de maquininhas e de cartões pré-pago e de crédito.

O executivo também teve papel estratégico na preparação para o IPO na Bolsa de Nova York, realizado em 2018. A experiência o aproximou dos desafios de milhões de pequenos negócios para receber, pagar e organizar suas finanças.

“O PagBank me deu uma visão muito clara de escala. Aprendi como construir produtos financeiros para milhões de pessoas sem perder a simplicidade na experiência”, relembra.

Da Bankly ao Jota

Em 2018, Davi fundou a Bankly, fintech de infraestrutura bancária no modelo Banking as a Service. A empresa alcançou R$ 70 milhões de faturamento em dois anos e foi adquirida pela Méliuz e, depois, pelo Banco BV, em operação concluída no fim de 2023.

Desde 2020, o empreendedor defendia que o WhatsApp se tornaria uma interface central para serviços financeiros. Após a venda, voltou-se a uma dor que conhecia desde o PagBank: os cerca de 15 milhões de MEIs que ainda anotam vendas, recebimentos e dívidas no caderno.

Com o avanço da inteligência artificial generativa, criou o Jota para unir pagamentos, gestão financeira e IA conversacional em uma única experiência. O fundador explica a decisão:

“Eu não queria simplesmente construir mais um banco ou mais uma plataforma financeira. A pergunta era: como tirar a complexidade da frente do empreendedor? Se ele já passa boa parte do dia no WhatsApp, por que não levar a vida financeira dele para dentro de uma conversa?”

Gestão financeira por texto ou áudio

A plataforma permite que pequenos e médios empreendedores controlem vendas, recebimentos, cobranças e fluxo de caixa por mensagens de texto ou áudio, sem precisar operar sistemas tradicionais.

Segundo Davi, a origem no Ceará ajudou a manter o foco em soluções acessíveis para quem empreende fora dos grandes centros. Ele descreve o público da startup:

“Quando pensamos no Jota, pensamos em alguém que está no balcão da loja, no salão, na oficina, vendendo pelo WhatsApp e sem tempo para aprender um sistema complicado. O produto nasceu olhando para o Brasil real, com linguagem que entende sotaques, rotinas e desafios locais.”

Disciplina no ciclismo e nos negócios

Aos 44 anos, casado, o CEO pedala seis vezes por semana e associa o esporte à gestão: para ele, resultados consistentes vêm de pequenas decisões repetidas diariamente.

“Levo muitos aprendizados do esporte para os negócios, mas o principal é a importância de manter atenção justamente nos momentos de maior velocidade e crescimento”, pondera.

“Empreender em alta velocidade exige encontrar espaços para recarregar a cabeça e manter clareza nas decisões”, afirma.

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