A MyTS prepara o lançamento da MyTS 2.0, nova geração de sua plataforma de gestão, desenvolvimento e monitoramento de fornecedores, e quer alcançar US$ 10 milhões em faturamento em dois anos. A nova versão será a base para acelerar a expansão no Brasil e iniciar a operação comercial nos Estados Unidos em 2027.
A empresa chega a essa etapa após crescer cerca de 40% nos últimos meses com a versão 1.0. Até agora, mapeou mais de 2 mil empresas e produtores em diferentes cadeias.
O lançamento acompanha uma mudança no mercado: a gestão de fornecedores, antes vista como diferencial, está se tornando requisito operacional, especialmente para empresas com cadeias complexas.
Regras de rastreabilidade na Europa e nos EUA pressionam empresas
A União Europeia e os Estados Unidos estão ampliando o rigor na importação de alimentos e commodities. A partir de dezembro de 2026, a UE vai exigir que empresas comprovem que produtos como soja, carne e café não vêm de áreas desmatadas.
Nos EUA, a regulação de segurança alimentar FSMA prevê fiscalização ampliada da rastreabilidade do campo à mesa a partir de julho de 2028.
A pressão também vem de investidores, grandes compradores e empresas de capital aberto, que passaram a exigir dados sobre origem, riscos ambientais e sociais, continuidade de fornecimento e evidências que sustentem essas informações.
Para a companhia, o cenário expõe uma fragilidade comum: conhecer o fornecedor contratado não significa conhecer a cadeia. É nessa lacuna que a empresa pretende concentrar sua expansão.
Projetos com Carrefour e Korin orientaram a nova versão
A versão 1.0 foi construída em torno de cadastro, gestão documental, homologação, avaliações, treinamentos, auditorias, monitoramento e rastreabilidade.
A plataforma participa de projetos com empresas como Grupo Carrefour Brasil, C.Vale, Casa do Pão de Queijo e Korin.
Entre as iniciativas estão a Jornada da Autonomia, desenvolvida com o Carrefour e com apoio técnico de instituições como a Embrapa, e o Korin 360, voltado ao treinamento de produtores rurais para a rastreabilidade integrada.
A MyTS 2.0 conecta gestão de parceiros, desenvolvimento, homologação e monitoramento contínuo em um único fluxo. Uma exigência pode gerar diagnóstico, identificação de gaps, plano de desenvolvimento, apresentação de evidências, aprovação e acompanhamento ao longo do tempo.
O fundador, Valmir Rodrigues, explica a mudança:
“A versão 1.0 validou o problema e o modelo. A 2.0 foi desenhada para escala. A homologação deixa de ser apenas um momento de aprovação e passa a fazer parte de um processo contínuo de gestão, desenvolvimento e acompanhamento de risco.”
Inteligência artificial com controle sobre os dados
A nova versão incorpora inteligência artificial para leitura e extração de informações de documentos, identificação de inconsistências, apoio à análise de evidências, priorização de pendências e geração de alertas.
Um dos pilares da arquitetura, porém, é a privacidade. Cada organização preserva suas informações comerciais e a confidencialidade de sua cadeia.
Fornecedores e produtores mantêm controle sobre os próprios dados e decidem o que compartilhar, com quem e para qual finalidade. A proposta é permitir a reutilização de documentos, evidências e históricos sem expor informações comerciais sensíveis.
“A tecnologia precisa reduzir trabalho repetitivo sem comprometer confiança e confidencialidade. O fornecedor pode construir um histórico que tenha valor para ele e reutilizar suas evidências, enquanto cada comprador continua preservando sua própria operação e sua cadeia”, afirma.
Entrada nos Estados Unidos começa pelo setor de alimentos
No Brasil, a nova versão será usada inicialmente para acelerar a expansão nos segmentos de alimentos, bebidas, varejo, agricultura e cadeias com grande número de fornecedores.
Nos EUA, a entrada comercial estruturada está prevista para 2027, começando por empresas de alimentos e projetos de supplier compliance, desenvolvimento de fornecedores, rastreabilidade e gestão de riscos.
A expectativa é que a plataforma acelere a aquisição de clientes nos primeiros meses e, depois da fase inicial, sustente uma trajetória consistente de expansão.
A companhia foi criada após a venda do WQS Group para a QIMA. A meta é transformar a experiência acumulada em décadas de atuação em certificação, qualidade e cadeias de fornecimento em uma plataforma global.
O fundador resume o momento:
“O mercado mudou de pergunta. Antes, a dúvida era: ‘meu fornecedor está aprovado?’. Agora é: ‘eu realmente conheço minha cadeia, consigo demonstrar isso e acompanhar o risco continuamente?’. É para essa mudança que estamos construindo a MyTS 2.0.”