Economia SP - Com juros altos e petróleo caro, Fiesp reduz projeção da indústria

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Com juros altos e petróleo caro, Fiesp reduz projeção da indústria

Foto: Governo de São Paulo/Divulgação
Foto: Governo de São Paulo/Divulgação

A produção industrial recuou 2,2% no 3º trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior. Com o resultado, a Fiesp revisou de 1,4% para 0,4% a projeção de crescimento da indústria neste ano, após alta de 0,6% em 2025.

Só em setembro, a queda foi de 0,8%, resultado pior do que o esperado pela federação (-0,2%) e pelo mercado (-0,4%). O recuo veio da indústria de transformação (-1,3%), apesar do avanço da indústria extrativa (+1,7%).

A indústria de transformação completou sete meses sem avanço. Para o segmento, a projeção é de queda de 0,4% em 2026, após recuo de 0,2% em 2025.

Retração atinge 17 de 25 setores

Em setembro, 17 dos 25 ramos pesquisados registraram queda. Os principais impactos negativos vieram de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis (-4,2%) e de produtos alimentícios (-1,7%).

Entre as 6 atividades em alta, a indústria extrativa teve a principal influência positiva e interrompeu quatro meses seguidos de queda, período em que acumulou perda de 4,5%.

Por categoria, bens de capital tiveram o recuo mais intenso (-1,9%), seguidos por bens semi e não duráveis (-1,2%) e bens intermediários (-0,7%), no quinto mês seguido de baixa. Bens duráveis foram a exceção, com alta de 0,7%.

No trimestre, a retração atingiu tanto a transformação (-2,2%) quanto a extrativa (-1,9%). Em 12 meses, a produção industrial acumula alta de 0,2%, com queda de 1,0% na transformação e avanço de 6,2% na extrativa.

Juros e endividamento pressionam a manufatura

Segundo a Fiesp, a fraqueza da transformação decorre sobretudo dos juros restritivos. O Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual em cinco reuniões entre março e setembro, mas interrompeu o ciclo em 4 de novembro e manteve a taxa em 13,75% ao ano.

Descontada a inflação esperada, o juro real supera 8% ao ano. Para o tomador final, as taxas variam de 24% a 62% ao ano.

A inadimplência das pessoas físicas chegou a 8,1% em setembro, maior nível da série iniciada em 2011. Em agosto, o endividamento das famílias atingiu 50,1% da renda e o comprometimento com dívidas, 29,0%, ambos recordes.

Em 2025, a queda se concentrava nos setores mais sensíveis aos juros. Em 2026, a fraqueza se espalhou também para atividades pouco afetadas por eles. Excluídos veículos, impulsionados por incentivos à compra, e coque, a transformação cai 2,7% entre o fim de 2025 e o 3º trimestre, ante 1,5% com os dois setores.

Petróleo e tarifas ampliam a pressão

Parte da pressão vem do exterior. A guerra entre Estados Unidos e Irã, iniciada no fim de fevereiro, mantém o petróleo em alta. Em outubro, o Brent fechou em cerca de US$ 110 por barril, o maior nível em seis meses, o que encarece energia, combustíveis e insumos.

Pelo lado da demanda, as sobretaxas dos Estados Unidos às exportações do país atingem principalmente máquinas e equipamentos, madeira, calçados, móveis e confecções.

Indicadores sinalizam indústria sem fôlego

O PMI industrial da S&P Global mostra queda da produção em outubro pelo sexto mês seguido. Os novos pedidos recuaram pelo 19º mês, na segunda retração mais intensa em três anos e meio.

Na Sondagem da Indústria da FGV, o Índice de Confiança caiu para 91,0 pontos. O indicador de estoques subiu para 110,0 pontos, o mais alto desde novembro de 2025, e a utilização da capacidade instalada recuou para 81,8%.

Em São Paulo, o Sensor Fiesp ficou em 44,7 pontos em outubro, ainda em zona de retração. O indicador de investimentos caiu 3,6 pontos, para 38,3.

Extrativa sustenta o crescimento

O resultado positivo do ano deve depender da indústria extrativa, que já acumula alta de 5,9% até setembro, puxada por petróleo bruto, minério de ferro e gás natural. A projeção é de avanço de 5,3% em 2026 e de 3,1% em 2027.

A ANP projeta alta de 11,2% na produção de petróleo e de 16,0% na de gás natural neste ano.

Para 2027, a Fiesp estima crescimento de 0,3% da indústria geral. Na transformação, a previsão é de nova queda, de 0,1%, o que marcaria o terceiro ano seguido de retração do segmento.

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