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Entre algoritmos e conexão: por que o conteúdo mais estratégico ainda é humano

Foto: divulgação.
Foto: divulgação.

Por Elissama Assis, jornalista e gestora de conteúdo na PX/BRASIL.

A inteligência artificial ganhou escala, velocidade e protagonismo nas estratégias de marketing, transformando a forma como marcas se comunicam e interagem com seus públicos.

No entanto, em meio a tanta automação e à multiplicidade de dados, o que se torna cada vez mais raro e valioso é a capacidade de estabelecer uma conexão genuína com as pessoas.

Essa percepção foi uma das principais conclusões do RD Summit 2025, evento que destacou a importância de que o marketing orientado por IA também seja guiado por intenção, empatia e propósito.

Uma das frases mais impactantes da palestra “Entre razões e emoções: o encontro dos agentes de IA com a humanização do marketing” resume bem o espírito do evento: “Entre a razão dos algoritmos e a emoção das histórias, está o coração do marketing. E esse coração é e sempre será humano.”

Em uma das palestras mais marcantes, o consultor e autor Rafael Rez trouxe reflexões diretas sobre o papel do conteúdo nesse novo cenário. Ele lembrou que, mesmo com toda a evolução da IA, o conteúdo estratégico bem produzido continua sendo essencial.

Como ele mesmo afirmou, “A maioria das IAs usa blog, produto e notícia como base de informação. Então, se você quiser ser citado pela IA, continue escrevendo. O blog nunca foi tão importante.”

Esse ponto resgata algo fundamental: o conteúdo com profundidade, consistência e valor real ainda é o que sustenta a presença digital de longo prazo. Não basta publicar mais. É preciso publicar com mais critério e mais intenção. Rafael reforçou isso ao dizer que “Marketing de conteúdo não é publicar mais. É quem publica melhor.

Quem vence é quem aprofunda.” Essa profundidade, segundo ele, deve estar a serviço da jornada do cliente: “Ajudar o cliente ao longo da jornada de compra é a única coisa que faz sentido.” Essas ideias ressoaram com outras falas do evento, especialmente da mesma palestra que introduziu o conceito de marketing que sente. Uma abordagem que não coloca tecnologia em oposição à emoção, mas convida as marcas a criarem com mais consciência.

O ponto central ali era claro: a automação pode ser bem-vinda, desde que não apague a essência. O valor não está apenas no que se produz, mas na intenção com que se produz.

Essa visão também foi reforçada no painel conduzido por Pedro Bial ao lado de Laércio Cosentino, fundador da TOTVS, e Bruno Camargo, CEO da Fairfax Brasil.

A inteligência artificial, por mais evoluída que esteja, ainda depende do que ensinamos a ela. É desenvolvida por pessoas, treinada com dados e influenciada por intenções humanas. Automatizar tarefas é possível. Mas decisões, análises e posicionamento continuam sendo responsabilidades nossas.

Tudo isso reforça uma ideia central: humanizar não é suavizar, é aprofundar. É publicar com consciência. Escrever para pessoas, não para algoritmos. Utilizar a IA como suporte, e não como substituta da empatia. Humanizar é colocar a utilidade no centro.

É tornar a experiência mais clara, transparente, acessível e autêntica. Isso começa com escuta e planejamento: entender dores reais do público em cada etapa da jornada e produzir algo que ajude, não apenas que atraia.

Também exige coerência em todos os pontos de contato, do tom de voz ao atendimento. Humanizar é representar mais pessoas nas narrativas, garantir acessibilidade e tratar dados com respeito e transparência. É substituir leads por nomes, dados por histórias e métricas por significado.

Na prática, isso significa criar vídeos com emoção, podcasts com profundidade e cases com verdade. Formatos que mostram quem está por trás da marca, o que ela acredita e como ela entrega valor real.

O RD Summit 2025 foi uma oportunidade concreta de escuta, troca e presença ativa em um dos espaços mais relevantes para quem pensa o marketing como ferramenta de transformação. Na era da IA, o diferencial não está na ferramenta, mas em quem a utiliza com propósito.

O que se destaca não é quem automatiza mais, mas quem cria com sensibilidade e intenção. Porque no fim, o que importa não é o quanto produzimos, mas o quanto conseguimos fazer o público sentir e transformar esse sentimento em conexão real, útil e humana.

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