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Da burocracia à inovação: como empresas já economizam milhões ao trazer soluções baseadas em stablecoins

Foto: divulgação
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A revolução financeira digital avança globalmente em ritmo acelerado, e o Brasil, marcado pela burocracia, começa a ser referência em laboratório de inovação. Dentro desse contexto estão os stablecoins: moedas digitais estáveis, ancoradas em ativos reais (como dólar e real) e registradas em blockchain, capazes de romper barreiras no sistema bancário tradicional. 

Se o que antes parecia uma promessa distante diante de tecnólogos e entusiastas das criptomoedas, tornou-se hoje uma realidade nas salas financeiras de grandes importadores e exportadores brasileiros. Isso porque as empresas dos setores de  agronegócio, tecnologia e e-commerce já utilizam stablecoins para realizar pagamentos internacionais com liquidez quase instantânea, economizando tempo, recursos e energia em processos que antes se arrastavam por dias no método SWIFT que permeia basicamente todo o sistema bancário tradicional global.

De acordo com dados da FXCIntel, o volume global anual de transações via stablecoins já ultrapassou a marca de US$ 4,87 trilhões em 2025, com participação crescente do mercado brasileiro. Conforme afirma Chris Harmse, executivo da  BVNK, nós estamos entrando em um período de ‘escape velocity’ em que todos reconhecem: stablecoins são tecnologias de pagamento genuinamente melhores. 

Já as operações de importação que antes eram engessadas por etapas burocráticas e auditoras onerosas, passaram a ser liquidadas quase instantaneamente, com rastreabilidade e compliance integrado.Para se ter uma ideia do impacto, somente em os stablecoins movimentaram mais de R$230 bilhões no Brasil somente em 2024. Elas já representam 90% de todas as transações envolvendo criptoativos no país.

Além disso, segundo relatórios recentes da Chainalysis e Circle, o uso dessa moeda deve crescer na área de B2B (Negócios entre empresas), principalmente em países como Brasil e Argentina, por conta da inflação do peso argentino estar em mais de 200%. 

Vale ressaltar que o impacto vai além das cifras, porque essa nova infraestrutura de pagamentos redefine a própria dinâmica de poder no comércio exterior. Ao eliminar as fronteiras operacionais e reduzir a dependência de bancos correspondentes estrangeiros, as empresas conquistam autonomia financeira e a capacidade de organização global. Esse é o início de uma descentralização concreta, em que o acesso a liquidez internacional deixa de ser privilégio de grandes conglomerados.

O movimento também reflete uma mudança cultural, porque o país que sempre conviveu com processos cartoriais e lentidão burocrática agora se abre para a eficiência algorítmica e encontra, nas stablecoins, uma ponte entre a inovação tecnológica e a maturidade regulatória, mostrando que o digital veio para ficar em diversas frentes. 

Podemos citar a Lei dos Criptoativos, em vigor desde novembro de 2022, que estabelece diretrizes e regulamentação, além do Banco Central do Brasil que vem atuando também para a implementação do Drex, com a promessa de ser uma modalidade do real digital, previsto  para ser lançado no próximo ano. 

Além dos ganhos financeiros, a inovação proporciona segurança, transparência e novo poder de negociação às companhias brasileiras, que podem, finalmente, competir de igual para igual no mercado internacional. Com regulamentação avançando, APIs abertas e os maiores bancos globais integrando plataformas de blockchain, como  o exemplo do Chainlink, as fronteiras entre Brasil e mundo nunca estiveram tão acessíveis para fazer negócios.

Por fim, concluo que o grande desafio para o Brasil não é mais apenas entrar na era digital, mas consolidar um ecossistema em que inovação e regulação avancem lado a lado, garantindo competitividade sem perder de vista a segurança e com uma mudança de mentalidade importante: menos carimbo, mais código. E sua empresa, está preparada para a nova era?

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Formado em Administração de Empresas pela ESPM, com pós em Branding e MBA em Venture Capital & Private Equity pela FGV/SP, é CEO da Sinergis e co-fundador da ESPM Angels.

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