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A falsa maturidade digital das empresas: todo mundo está online, poucos sabem o que estão fazendo

Foto: divulgação
Foto: divulgação

Na prática, muitas organizações confundem operação com estratégia. Estar em todas as plataformas, publicar com frequência ou investir em anúncios não significa, necessariamente, saber o que está sendo feito. O que se vê é um grande volume de ações desconectadas, guiadas mais por pressão externa do que por decisões estruturadas.

A maturidade digital não está no canal, está na lógica. Empresas maduras entendem por que estão em cada plataforma, qual papel cada uma exerce no negócio e como essas frentes se conectam com objetivos reais. Já empresas imaturas operam no modo tentativa e erro permanente, sem critérios claros de sucesso, sem leitura consistente de dados e, principalmente, sem governança.

Esse abismo fica evidente quando tudo depende de pessoas e não de processos. Quando o marketing funciona apenas enquanto determinado profissional está presente, não existe maturidade, existe improviso. Estratégia de verdade se sustenta com método, documentação, rituais de análise e tomada de decisão baseada em dados, não em achismos ou modismos do mercado.

Outro sinal clássico da falsa maturidade digital é a ansiedade por resultado imediato. Empresas que pulam etapas, ignoram a construção de marca e exigem performance sem base estratégica acabam exaurindo seus próprios canais. O digital passa a ser visto como caro, frustrante ou ineficiente, quando, na realidade, o problema está na ausência de planejamento e clareza.

Maturidade digital também passa por entender que marketing não opera isolado. Ele depende de produto, atendimento, experiência, precificação e cultura interna. Quando essas áreas não estão alinhadas, nenhuma campanha sustenta resultado no médio e longo prazo. O marketing vira o mensageiro de uma estrutura que não se sustenta.

No fim, estar online é fácil. Difícil é saber por que se está ali, o que se espera de cada ação e como evoluir a partir dos aprendizados. Empresas realmente maduras no digital não fazem mais, fazem melhor. Elas escolhem, priorizam, medem, ajustam e entendem que presença não é sinônimo de estratégia.

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CEO da Cubo Comunicação.

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