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Como nasce o branding capaz de sustentar uma marca a longo prazo?

Foto: @sufounditpretty
Foto: @sufounditpretty

Vivemos um momento digital first. Marcas nascem, crescem e disputam atenção em ambientes digitais antes mesmo de existirem fisicamente. Ferramentas de design, automação e inteligência artificial tornam cada etapa da comunicação mais acessível, mais rápida e aparentemente mais eficiente.

Mas nesse cenário em que tudo pode ser simulado, otimizado e replicado em escala, uma pergunta se torna inevitável: se a sua marca depende de tudo isso para parecer valiosa, onde está o valor real dela?

A maioria das empresas que investe em branding ainda acredita que se trata apenas de um sistema de apresentação visual, algo bonito, organizado e funcional. Mas o verdadeiro branding começa muito antes do design e vai muito além da estética. Branding é o espaço onde vive a alma do negócio. É onde o propósito se traduz em posicionamento. Onde a identidade se converte em direção. Onde o valor se torna reconhecível.

Dar vida a uma marca não é algo que acontece da noite para o dia, por mais investimento que se faça, por mais tecnologia que se envolva, por mais capacitado que seja o profissional envolvido no processo. Existe um tempo natural de desenvolvimento. Uma marca forte nunca nasce pronta. Requer escuta, escolhas, tempo para se fortalecer. Exige que seus criadores parem, pensem, se envolvam, questionem, definam e não apenas terceirizem esse trabalho.

O que mais temos visto é uma corrida por visibilidade que ignora as raízes. Marcas pessoais e institucionais que investem verdadeiras fortunas para serem notadas, mas pouco para sustentar sua proposta de valor. Muitas vezes, esquecem o que as motivou a começar, o que faz sentido, o que faz os olhos brilharem. O resultado são discursos genéricos, imagens vazias, posicionamentos que poderiam ser copiados e colados em qualquer outro negócio. Só muda o segmento e, às vezes, nem isso.

E quando tudo parece igual, o que é verdadeiro se torna diferencial.

Presença, originalidade e consistência são atributos escassos e, portanto, valiosos. São a base necessária para um trabalho de branding de qualidade. Uma marca que se expressa com clareza e coerência constrói valor a longo prazo. Não depende apenas de tendências. Ela gera reconhecimento. E, acima de tudo, se sustenta. Porque sabe quem é, o que defende e como entregar isso ao mundo com autenticidade.

Autenticidade, aliás, não é uma qualidade subjetiva. É um ativo estratégico.
Segundo pesquisa publicada pelo Mundo do Marketing, 73% dos brasileiros consideram a autenticidade determinante na hora de escolher uma marca, o que reforça a importância da verdade como base da conexão de valor com o público (MUNDODOMARKETING, 2024). Outro dado relevante mostra que marcas com identidade consistente em todos os pontos de contato aumentam sua receita em até 23%, comprovando que branding coerente impacta diretamente o desempenho dos negócios (LINEARITY, 2023).

Isso significa que branding não é sobre parecer profissional ou estar visualmente “bonito”. É sobre ser percebido como confiável, desejável e necessário, e bancar essa percepção a médio e longo prazo. É sobre gerar sentido e conexão humana, não apenas conteúdo.

É importante esclarecer que uma marca que passa por um processo de branding ou mesmo de rebranding não precisa, necessariamente, reformular seu logotipo ou identidade visual. Em muitos casos, o maior valor está em revisitar a forma como a marca se posiciona, se comunica e expressa o que acredita, tanto da porta para dentro quanto da porta para fora. O tom de voz, as palavras que escolhe, a clareza do discurso e a coerência em cada ponto de contato falam mais alto do que qualquer símbolo gráfico. Afinal, uma marca pode existir e ser forte mesmo antes de ter um logotipo. Mas nunca sem uma proposta de valor clara, viva e verdadeira.

No livro de Flavia Mardegan, especialista em vendas, há uma observação muito interessante: empresas não medem esforços para adquirir novos equipamentos, mas muitas vezes relutam para investir em treinamentos (isso inclui treinamentos de branding). No entanto, é justamente esse tipo de investimento que transforma pessoas em defensores da marca, pessoas que trabalham com orgulho, consciência e consistência.

O branding é infinito. Não é um trabalho com começo, meio e fim. Todo dia é uma oportunidade de inovar, se atualizar e gerar mais valor para a sua marca. Como propõe Fernando Seabra em A Mandala da Inovação, inovação não é uma grande ideia isolada, mas o resultado do alinhamento diário entre visão, execução e impacto no negócio (SEABRA, 2024). Essa é uma visão que se alinha perfeitamente à importância de investir em branding. Porque ele se constrói no processo contínuo de consciência, coerência e presença.

Quando marcas são construídas apenas para funcionar e gerar resultados rápidos, elas não duram. Quando são construídas para comunicar uma verdade, elas se tornam referência.

Hoje, o branding de maior valor não é o mais bonito, o mais viral, o mais otimizado. É o branding que traduz propósito em forma, cultura em atitude e valor em linguagem. E isso não nasce em um clique. Se desenvolve com profundidade, de forma humanizada, para que depois a inteligência artificial possa amplificar o que é real e bem construído.

Investir em branding, portanto, é muito mais do que contratar um designer ou atualizar o logo. É um processo de autoconsciência estratégica. É parar para refletir: o que minha marca acredita? O que ela promete? O que ela entrega? O que a torna única e confiável? E como isso se expressa, com consistência, dentro e fora?

O verdadeiro branding nasce dentro do coração de cada empreendedor. É quando a intenção se transforma em direção. Quando a visão pessoal encontra forma no mundo. E a marca passa a carregar um sentido que ninguém mais poderia construir no lugar.

Marcas que não se fazem essas perguntas não têm clareza para crescer. E marcas que não têm clareza acabam presas em ciclos operacionais exaustivos, com equipes desalinhadas, comunicação desconectada e baixa percepção de valor.

Mais do que nunca, as marcas que se destacam não são as que produzem mais conteúdo. São as que conseguem gerar mais reconhecimento, visual, simbólico e emocional. Porque o valor de uma marca está na forma como ela se conecta, de verdade, com as pessoas. E, muitas vezes, é preciso de um espelho para enxergar esse valor: alguém que acompanhe, provoque, traduza e sustente esse processo ao longo do tempo.

Se o valor ainda não está claro para quem constrói a marca, dificilmente estará claro para quem consome.

Por isso, a pergunta que fica não é sobre performance, é sobre presença.
Você está realmente demonstrando o valor da sua marca ou apenas tentando fazer com que ela pareça algo que ainda não teve tempo de construir? 

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designer, especialista em branding, com mais de 20 anos de experiência no universo das marcas.

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